Vaginose Bacteriana: Diagnóstico e Gardnerella vaginalis

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2026

Enunciado

Mulher de 25 anos chega ao ambulatório com queixa de corrimento claro, em pouca quantidade, sem prurido, com odor fétido, que se acentua durante a relação sexual e na menstruação, há um mês. Fez tratamento com fluconazol via oral sem melhora. Assinale a alternativa que apresenta corretamente o agente etiológico mais provável:

Alternativas

  1. A) Trichomonas vaginalis.
  2. B) Gardnerella vaginalis.
  3. C) Chlamydia trachomatis.
  4. D) Candida albicans.

Pérola Clínica

Corrimento fétido + Piora no coito/menses - Prurido = Vaginose Bacteriana (Gardnerella).

Resumo-Chave

A vaginose bacteriana é um desequilíbrio da flora vaginal caracterizado pela substituição de Lactobacillus por anaeróbios, resultando em odor fétido devido à liberação de aminas.

Contexto Educacional

A vaginose bacteriana (VB) é a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva. Fisiopatologicamente, ocorre uma redução drástica dos Lactobacillus produtores de peróxido de hidrogênio, permitindo o supercrescimento de uma flora polimicrobiana anaeróbia, onde a Gardnerella vaginalis atua como facilitadora para outros patógenos como Mobiluncus e Atopobium vaginae. O tratamento de escolha é o Metronidazol (oral ou vaginal), visando restaurar o equilíbrio da flora. É importante ressaltar que o tratamento do parceiro sexual não é rotineiramente recomendado, pois não previne a recorrência na mulher. A falha terapêutica com antifúngicos, como relatado no caso, é comum quando o diagnóstico diferencial entre VB e candidíase não é realizado corretamente através da anamnese e exame físico.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios de Amsel?

O diagnóstico clínico de vaginose bacteriana requer 3 dos 4 critérios de Amsel: 1. Corrimento branco-acinzentado, homogêneo e fluido; 2. pH vaginal > 4,5; 3. Teste das aminas (Whiff test) positivo (odor de peixe podre ao adicionar KOH 10%); 4. Presença de 'clue cells' (células-alvo) na microscopia a fresco.

Vaginose bacteriana é considerada uma IST?

Não é classificada estritamente como uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST), mas sim como um desequilíbrio da microbiota (disbiose). No entanto, a atividade sexual é um fator de risco importante, e o sêmen (que é alcalino) facilita a liberação das aminas voláteis, exacerbando o odor característico.

Como diferenciar vaginose de candidíase?

A candidíase cursa com prurido intenso, pH vaginal normal (< 4,5) e corrimento grumoso (aspecto de leite coalhado) sem odor. A vaginose bacteriana não apresenta sinais inflamatórios (sem prurido ou dor), tem pH elevado (> 4,5) e o odor fétido é a queixa principal, especialmente após o coito ou menstruação.

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