Vaginose Bacteriana: Diagnóstico e Fisiopatologia do Odor

PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2023

Enunciado

UMA SUCESSÃO DE ERROS: Paciente procura o ginecologista com queixa de “menstruação fétida” e corrimento malcheiroso muito abundante, que chega a molhar a calcinha. Não tem prurido nem ardor genital. Ao exame clínico, o especular permite constatar que o pH vaginal é 5.5 e há conteúdo vaginal branco acinzentado muito fluído, sem sinais inflamatórios. Assinale a resposta que garante o raciocínio clínico e conduta clínica CORRETAS entre as abaixo relacionadas:

Alternativas

  1. A) O laudo do e[ame bacterioscópico da paciente acima descreve achado de grande quantidade de “clue-cells”. Essa característica celular corresponde a um halo perinuclear e está intimamente associado à presença de papilomavirus. Por isso mesmo, você solicita a pesquisa de HPV por meio de hibridização in situ. O resultado desse exame é positivo para “tipos virais de bai[o risco”, assim você deve indicar uma biópsia do colo uterino;
  2. B) Como você pediu a pesquisa de HPV e o vírus foi detectado, o marido da paciente teve acesso ao resultado do exame dela e lhe telefona bastante alterado dizendo que “acessou a internet e descobriu que o papilomavirus é causa de uma doença se[ualmente transmissível”, ao que você responde que ele tem razão, perguntando a seguir se ele (o marido) teria uma amante. O marido diz que não, dessa forma você conclui que, no caso quem deve ter o amante é ela;
  3. C) Você fez a biópsia do colo uterino e o diagnóstico foi “cervicite crônica”, assim você concluiu que provavelmente fez a biópsia no lugar errado, devendo ser indicado então uma conização com alça diatérmica, pois dependerá do resultado desse e[ame a confirmação da IST e o encaminhamento para a conduta correta. Com relação ao marido, você o encaminha para o urologista para que seja orientado sobre sua possível IST;
  4. D) A queixa da menstruação fétida poderá ser resultado da ação na vagina do sangue menstrual causando elevação transitória do pH, o que poderá liberar algumas substâncias voláteis (caracterizadas como aminas, especialmente a putrescina e a cadaverina) que provocam maucheiro.Geralmente associado coma vaginose bacteriana,que corresponde a modificações na microbiota vaginal.

Pérola Clínica

Corrimento fétido, pH > 4.5, sem inflamação → Vaginose Bacteriana (aminas voláteis).

Resumo-Chave

A vaginose bacteriana é caracterizada por um desequilíbrio da microbiota vaginal, com proliferação de bactérias anaeróbias e redução de lactobacilos. Isso leva à produção de aminas voláteis (putrescina, cadaverina) que causam o odor fétido, especialmente após relação sexual ou menstruação, quando o pH vaginal se eleva.

Contexto Educacional

A vaginose bacteriana (VB) é a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva, resultante de um desequilíbrio na microbiota vaginal. Caracteriza-se pela substituição dos lactobacilos produtores de peróxido de hidrogênio por uma flora polimicrobiana anaeróbia, incluindo Gardnerella vaginalis, Mobiluncus spp. e Mycoplasma hominis. Embora não seja considerada uma infecção sexualmente transmissível clássica, pode estar associada a maior risco de aquisição de ISTs e complicações obstétricas. O diagnóstico da VB é clínico, baseado nos critérios de Amsel: corrimento vaginal homogêneo, branco-acinzentado; pH vaginal > 4.5; teste das aminas positivo (odor de peixe após adição de KOH 10%); e presença de "clue-cells" (células epiteliais vaginais cobertas por bactérias) na microscopia. A queixa de "menstruação fétida" é comum, pois o sangue menstrual eleva o pH vaginal, favorecendo a liberação das aminas voláteis que causam o mau cheiro. O tratamento visa restaurar a microbiota vaginal e aliviar os sintomas, geralmente com metronidazol (oral ou vaginal) ou clindamicina (creme vaginal). É crucial que o residente saiba identificar corretamente a VB, diferenciando-a de outras vulvovaginites, para instituir a terapia adequada e evitar tratamentos desnecessários ou ineficazes.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para vaginose bacteriana?

Os critérios de Amsel incluem: corrimento vaginal homogêneo e branco-acinzentado, pH vaginal > 4.5, teste das aminas positivo (odor de peixe após KOH 10%) e presença de clue-cells no exame microscópico.

Por que o corrimento da vaginose bacteriana tem um odor fétido?

O odor fétido, frequentemente descrito como "cheiro de peixe", é causado pela produção de aminas voláteis (putrescina, cadaverina, trimetilamina) por bactérias anaeróbias que proliferam na vagina quando o pH está elevado.

Qual a principal alteração na microbiota vaginal na vaginose bacteriana?

A vaginose bacteriana é caracterizada pela diminuição acentuada dos lactobacilos, que são responsáveis por manter o pH ácido, e pela proliferação de bactérias anaeróbias, como Gardnerella vaginalis, Mobiluncus e Mycoplasma hominis.

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