HFA - Hospital das Forças Armadas (DF) — Prova 2015
Uma paciente de 24 anos de idade, G2PN2A0, consultou-se com ginecologista devido à queixa de leucorreia. Foram realizados o teste das aminas (positivo) e o exame a fresco da secreção vaginal, sendo que a conclusão do médico foi de que se tratava de vaginose por Gardnerella vaginalis. Considerando esse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta o achado que se espera ter sido visto no exame a fresco.
Vaginose bacteriana por Gardnerella vaginalis → Clue cells no exame a fresco.
A vaginose bacteriana é uma disbiose da microbiota vaginal, caracterizada pela proliferação de bactérias anaeróbias como a Gardnerella vaginalis. O diagnóstico é clínico e laboratorial, sendo a presença de "clue cells" (células epiteliais recobertas por bactérias) um achado patognomônico no exame a fresco.
A vaginose bacteriana (VB) é a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva, resultante de um desequilíbrio na microbiota vaginal. Caracteriza-se pela diminuição dos lactobacilos protetores e proliferação de bactérias anaeróbias, como a Gardnerella vaginalis, Mobiluncus e Mycoplasma hominis. Embora não seja considerada uma infecção sexualmente transmissível clássica, está associada a um risco aumentado de adquirir outras ISTs e complicações obstétricas. O diagnóstico da vaginose bacteriana é feito com base nos critérios de Amsel, que incluem: corrimento vaginal homogêneo e fino, pH vaginal > 4,5, teste das aminas positivo (odor de peixe após adição de KOH 10%) e a presença de "clue cells" (células-chave) no exame a fresco da secreção vaginal. As clue cells são células epiteliais vaginais com suas bordas obscurecidas por uma densa camada de cocobacilos, sendo um achado patognomônico. O tratamento da vaginose bacteriana visa restaurar o equilíbrio da flora vaginal e aliviar os sintomas. Os antibióticos mais utilizados são o metronidazol (oral ou tópico) e a clindamicina (tópica). É fundamental que residentes saibam identificar os achados clínicos e microscópicos para um diagnóstico preciso e manejo adequado, prevenindo recorrências e complicações.
Os critérios de Amsel incluem: corrimento vaginal homogêneo e fino, pH vaginal > 4,5, teste das aminas positivo (odor de peixe após KOH 10%), e presença de clue cells no exame a fresco. São necessários 3 de 4 para o diagnóstico.
Clue cells (células-chave) são células epiteliais vaginais que estão densamente recobertas por cocobacilos, tornando suas bordas indistintas. Elas são o achado microscópico mais característico da vaginose bacteriana.
O tratamento de primeira linha para vaginose bacteriana geralmente envolve metronidazol (oral ou gel vaginal) ou clindamicina (creme vaginal ou óvulos).
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