Vaginose Bacteriana: Diagnóstico e Tratamento Essencial

UFT - Universidade Federal do Tocantins — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 29 anos de idade, sexualmente ativa, apresenta-se ao ginecologista com queixa de corrimento vaginal. O laudo microscópico da citologia evidenciou a presença de flora bacteriana com predomínio de cocobacilos, ausência de lactobacilos, presença de Mobiluncus mulieris, poucos neutrófilos e mais de 20% das células epiteliais compostas de células guia. Assinale a alternativa CORRETA sobre qual o diagnóstico e respectivo tratamento sugerido diante do quadro clínico.

Alternativas

  1. A) Candidíase vaginal - fluconazol, via oral.
  2. B) Vaginose bacteriana - metronidazol, via oral.
  3. C) Tricomoníase - metronidazol, via oral.
  4. D) Vaginite citolítica - fenticonazol, creme vaginal.
  5. E) Infecção por clamídia trachomatis - azitromicina, via oral, dose única.

Pérola Clínica

Vaginose Bacteriana = predomínio cocobacilos, ausência lactobacilos, células guia >20%, Mobiluncus. Tratamento: Metronidazol VO.

Resumo-Chave

A vaginose bacteriana é caracterizada por um desequilíbrio da flora vaginal, com redução ou ausência de lactobacilos e supercrescimento de bactérias anaeróbias, como Gardnerella vaginalis e Mobiluncus. A presença de células guia (clue cells) é patognomônica e o tratamento de escolha é o metronidazol.

Contexto Educacional

A vaginose bacteriana é a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva, resultante de um desequilíbrio da microbiota vaginal normal. Caracteriza-se pela diminuição ou ausência de lactobacilos produtores de peróxido de hidrogênio e supercrescimento de bactérias anaeróbias, como Gardnerella vaginalis, Mobiluncus e Mycoplasma hominis. Sua importância clínica reside não apenas no desconforto, mas também na associação com complicações obstétricas e ginecológicas, como parto prematuro, endometrite pós-parto e aumento do risco de aquisição de ISTs. O diagnóstico é primariamente clínico e laboratorial. Os critérios de Amsel são amplamente utilizados, incluindo: corrimento vaginal homogêneo, pH vaginal > 4,5, teste de aminas positivo (odor de peixe após adição de KOH) e presença de células guia (clue cells) em mais de 20% das células epiteliais na microscopia. A ausência de neutrófilos é um achado importante que a distingue de outras vaginites inflamatórias. O tratamento de escolha é o metronidazol, administrado por via oral (500mg 2x/dia por 7 dias) ou em gel vaginal (0,75% 1x/dia por 5 dias), ou clindamicina (creme vaginal 2% 1x/dia por 7 dias ou óvulos de 100mg 1x/dia por 3 dias). É fundamental orientar a paciente sobre a importância da adesão ao tratamento e, em casos de recorrência, considerar regimes estendidos ou profilaxia.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para vaginose bacteriana?

Os critérios de Amsel incluem corrimento vaginal homogêneo, pH vaginal > 4,5, teste de aminas positivo e presença de células guia na microscopia.

Qual o tratamento de primeira linha para vaginose bacteriana?

O tratamento de primeira linha é o metronidazol, que pode ser administrado por via oral ou tópica, ou clindamicina, também oral ou tópica.

Como diferenciar vaginose bacteriana de outras vaginites?

A vaginose bacteriana se diferencia pela ausência de inflamação (poucos neutrófilos), pH elevado, teste de aminas positivo e presença de células guia, diferentemente da candidíase (fungos, pH normal) e tricomoníase (tricomonas, inflamação).

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