Vaginose Bacteriana: Diagnóstico Clínico e Teste Whiff

Santa Casa de São José dos Campos (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 27 anos refere corrimento vaginal aumentado, associado à dispareunia. Ao exame ginecológico, encontra-se corrimento branco acinzentado, com cheiro forte. O teste Whiff é positivo. Qual diagnóstico:

Alternativas

  1. A) Tricomoniase
  2. B) Candidiase
  3. C) Vaginose bacteriana
  4. D) Vaginose citolitica

Pérola Clínica

Corrimento branco-acinzentado, cheiro forte e teste Whiff positivo → Vaginose Bacteriana.

Resumo-Chave

A Vaginose Bacteriana é caracterizada por um desequilíbrio da flora vaginal, com proliferação de bactérias anaeróbias. Os achados clássicos incluem corrimento branco-acinzentado homogêneo, odor fétido (especialmente após coito ou menstruação) e teste Whiff positivo (odor de amina ao adicionar KOH à secreção). Esses sinais, juntamente com a dispareunia, são altamente sugestivos do diagnóstico.

Contexto Educacional

A vaginose bacteriana (VB) é a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva. Não é considerada uma infecção sexualmente transmissível clássica, mas sim um desequilíbrio da flora vaginal normal, com diminuição dos lactobacilos e proliferação de bactérias anaeróbias, como Gardnerella vaginalis, Mycoplasma hominis e Prevotella spp. Embora muitas vezes assintomática, pode causar sintomas incômodos e está associada a complicações obstétricas e ginecológicas. O diagnóstico da vaginose bacteriana é predominantemente clínico, baseado nos critérios de Amsel. A paciente da questão apresenta três dos principais achados: corrimento branco-acinzentado, cheiro forte (odor de amina) e teste Whiff positivo. A dispareunia (dor durante a relação sexual) também pode estar presente. A microscopia do corrimento vaginal, que revelaria a presença de células-chave (células epiteliais vaginais recobertas por bactérias), confirmaria o diagnóstico. O tratamento da vaginose bacteriana visa restaurar o equilíbrio da flora vaginal e aliviar os sintomas. Os antibióticos mais utilizados são metronidazol (oral ou tópico) ou clindamicina (tópica). É importante diferenciar a VB de outras vaginites, como candidíase e tricomoníase, pois o tratamento é específico para cada condição. A correta identificação dos sinais e sintomas é crucial para o manejo adequado e para evitar complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios para o diagnóstico de vaginose bacteriana?

O diagnóstico de vaginose bacteriana é feito pelos critérios de Amsel, que incluem: 1) corrimento vaginal branco-acinzentado homogêneo; 2) pH vaginal > 4,5; 3) teste Whiff positivo (odor de amina ao adicionar KOH); e 4) presença de células-chave (clue cells) no microscópio. São necessários pelo menos três dos quatro critérios.

O que é o teste Whiff e por que ele é importante na vaginose bacteriana?

O teste Whiff é um exame simples onde uma gota de hidróxido de potássio (KOH) a 10% é adicionada a uma amostra de corrimento vaginal. Um resultado positivo é a liberação de um odor forte de 'peixe podre', devido à volatilização de aminas produzidas pelas bactérias anaeróbias, sendo um achado característico da vaginose bacteriana.

Como diferenciar vaginose bacteriana de candidíase e tricomoníase?

A vaginose bacteriana tem corrimento branco-acinzentado e odor fétido, teste Whiff positivo e pH > 4,5. A candidíase apresenta corrimento branco, espesso e grumoso ('coalhada'), sem odor e pH normal (< 4,5). A tricomoníase cursa com corrimento amarelo-esverdeado, bolhoso, com odor e pH elevado, e pode haver visualização de tricomonas móveis ao microscópio.

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