Vaginose Bacteriana: Diagnóstico e Tratamento Eficaz

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2021

Enunciado

Uma paciente de 34 anos de idade, queixa-se de leucorreia amarelada de odor fétido. Ao exame físico, apresentou teste das aminas positivo. À microscopia a fresco, foram observadas células epiteliais recobertas por cocobacilos, com o apagamento de suas bordas conferindo aspecto rendilhado.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta, correta e respectivamente, o diagnóstico e o tratamento a ser indicado para a paciente.

Alternativas

  1. A) candidíase – fluconazol 150 mg, via oral, em dose única
  2. B) vaginose bacteriana – metronidazol 100 mg/g, via vaginal, por cinco dias
  3. C) tricomoníase – tinidazol 2 g, via oral, em dose única
  4. D) vaginose bacteriana – bicarbonato de sódio 150 mg, via vaginal, por sete dias
  5. E) tricomoníase – metronidazol 500 mg, via oral, de doze em doze horas, por sete dias

Pérola Clínica

Leucorreia fétida + Teste aminas + Clue cells = Vaginose Bacteriana → Metronidazol (oral ou vaginal).

Resumo-Chave

A vaginose bacteriana é diagnosticada pela presença de leucorreia amarelada e fétida, teste das aminas positivo e, microscopicamente, por 'clue cells'. O tratamento de escolha é o metronidazol, que pode ser administrado por via oral ou vaginal.

Contexto Educacional

A vaginose bacteriana (VB) é a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva, resultante de um desequilíbrio na microbiota vaginal. Caracteriza-se pela diminuição dos lactobacilos protetores e supercrescimento de bactérias anaeróbias, como Gardnerella vaginalis, Mobiluncus e Mycoplasma hominis. Embora não seja considerada uma infecção sexualmente transmissível clássica, a atividade sexual pode influenciar o risco. O diagnóstico da VB é clínico e laboratorial, utilizando os critérios de Amsel: (1) corrimento vaginal homogêneo, branco-acinzentado; (2) pH vaginal > 4,5; (3) teste das aminas (whiff test) positivo, com odor fétido ('cheiro de peixe') após adição de KOH 10%; e (4) presença de 'clue cells' (células-chave) na microscopia a fresco do fluido vaginal. A presença de pelo menos três desses quatro critérios confirma o diagnóstico. O tratamento visa restaurar o equilíbrio da microbiota vaginal e aliviar os sintomas. O metronidazol é a medicação de escolha, podendo ser administrado por via oral (500 mg, duas vezes ao dia, por sete dias) ou por via vaginal (gel de metronidazol 0,75%, uma vez ao dia, por cinco dias, ou óvulos de metronidazol 500 mg, uma vez ao dia, por sete dias). A clindamicina é uma alternativa para pacientes intolerantes ao metronidazol. O tratamento do parceiro sexual geralmente não é recomendado.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para vaginose bacteriana?

Os critérios de Amsel incluem: leucorreia homogênea, branco-acinzentada; pH vaginal > 4,5; teste das aminas (whiff test) positivo; e presença de 'clue cells' na microscopia a fresco. São necessários pelo menos três dos quatro critérios.

O que são 'clue cells' e qual sua importância diagnóstica?

'Clue cells' são células epiteliais vaginais recobertas por cocobacilos (principalmente Gardnerella vaginalis), que perdem suas bordas nítidas, conferindo um aspecto rendilhado. São patognomônicas da vaginose bacteriana.

Qual o tratamento de primeira linha para vaginose bacteriana?

O metronidazol é o tratamento de primeira linha, podendo ser administrado por via oral (500mg 2x/dia por 7 dias) ou vaginal (gel 0,75% 1x/dia por 5 dias ou óvulos 500mg 1x/dia por 7 dias). A clindamicina é uma alternativa.

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