IDOR - Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino - Rede D'Or (RJ) — Prova 2026
Paciente de 20 anos chega à consulta ginecológica queixando-se de corrimento vaginal malcheiroso e em grande quantidade. Relata surgimento do quadro após o período menstrual, tendo o corrimento coloração acinzentada e odor fétido intenso. Nega prurido ou sintomas associados. O agente etiológico mais provável do quadro é:
Corrimento cinza + Odor fétido (peixe) + Clue cells = Vaginose Bacteriana.
A vaginose bacteriana é um desequilíbrio da flora vaginal onde lactobacilos são substituídos por anaeróbios, sendo a Gardnerella vaginalis o marcador principal.
A vaginose bacteriana (VB) representa a causa mais frequente de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva. Diferente das vaginites inflamatórias, a VB é uma disbiose caracterizada pela redução drástica dos Lactobacillus (Flora de Döderlein), que mantêm o pH ácido, e pelo supercrescimento de bactérias anaeróbias como Gardnerella vaginalis, Atopobium vaginae e Mobiluncus spp. Embora muitas pacientes sejam assintomáticas, o sintoma cardinal é o corrimento fluido com odor desagradável. O diagnóstico laboratorial padrão-ouro é o Escore de Nugent, baseado na coloração de Gram, mas os Critérios de Amsel são amplamente preferidos na prática clínica pela viabilidade à beira do leito. Complicações incluem maior susceptibilidade a ISTs e riscos obstétricos como parto prematuro.
São quatro critérios clínicos utilizados para o diagnóstico: 1. Corrimento branco-acinzentado, homogêneo e fino; 2. pH vaginal superior a 4,5; 3. Teste das aminas (Whiff test) positivo, com odor de peixe podre após adição de KOH a 10%; 4. Presença de 'clue cells' (células-alvo) em mais de 20% das células epiteliais na microscopia a fresco. A presença de três dos quatro critérios confirma o diagnóstico.
O tratamento padrão é o Metronidazol, podendo ser administrado por via oral (500mg de 12/12h por 7 dias) ou por via vaginal (gel a 0,75% por 5 noites). A Clindamicina em creme ou óvulos é uma alternativa eficaz. O tratamento visa aliviar os sintomas e reduzir o risco de complicações infecciosas, especialmente em gestantes ou antes de procedimentos ginecológicos.
O sêmen e o sangue menstrual possuem pH alcalino. Ao entrarem em contato com o conteúdo vaginal rico em aminas voláteis (como putrescina e cadaverina), produzidas pelo metabolismo dos microrganismos anaeróbios, ocorre a volatilização dessas substâncias, o que acentua o odor fétido característico descrito como 'peixe podre'.
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