AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2020
Usuária do sistema único de saúde, 35 anos, há 3 meses percebe corrimento amarelado, fétido, que piora após o coito e menstruações; sem queixas vaginais. Fez laqueadura tubária há 5 anos. É III Gesta, II Para (primeiro há 13 anos) e I Cesárea (há 5 anos). Última menstruação há 8 dias. Atividades sexuais desde os 17 anos de idade com o mesmo parceiro. Há 2 meses o parceiro reclama do odor pós coital, o que a inibe para o relacionamento sexual. Exame de órgãos genitais externos pilificação ginecóide, porém escassa, por depilação, rima vulvar entreaberta. Exame especular conteúdo vaginal amarelado, líquido, em grande quantidade. Teste de Whiff positivo. Os patógenos responsáveis pelo corrimento vaginal que esta paciente apresenta são integrantes da comunidade microbiana vaginal
Corrimento amarelado fétido, piora pós-coito/menstruação, Whiff positivo → Vaginose Bacteriana (disbiose vaginal).
O quadro clínico descrito, com corrimento amarelado fétido, piora pós-coito e menstruação, e teste de Whiff positivo, é altamente sugestivo de vaginose bacteriana. Esta condição é caracterizada por um desequilíbrio da microbiota vaginal, com redução de lactobacilos e proliferação de bactérias anaeróbias, como Gardnerella vaginalis.
A vaginose bacteriana (VB) é a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva, caracterizada por um desequilíbrio da microbiota vaginal normal. Embora não seja considerada uma infecção sexualmente transmissível clássica, pode estar associada a maior risco de adquirir outras ISTs e complicações obstétricas. Clinicamente, a VB manifesta-se por corrimento vaginal amarelado ou acinzentado, homogêneo, com odor fétido ("cheiro de peixe"), que piora após o coito e durante a menstruação. O diagnóstico é feito pelos critérios de Amsel, que incluem o teste de Whiff positivo, pH vaginal elevado (>4,5), presença de clue cells no microscópio e o aspecto do corrimento. O tratamento da vaginose bacteriana visa restaurar o equilíbrio da microbiota vaginal, geralmente com metronidazol (oral ou tópico) ou clindamicina (tópica). É importante diferenciar a VB de outras causas de corrimento, como candidíase ou tricomoníase, para um tratamento adequado e evitar recorrências.
Os critérios de Amsel incluem corrimento vaginal homogêneo, pH vaginal > 4,5, teste de Whiff positivo e presença de clue cells no microscópio. Três dos quatro são necessários para o diagnóstico.
O teste de Whiff, ou teste das aminas, é positivo quando há liberação de odor de peixe após a adição de hidróxido de potássio (KOH) à secreção vaginal, indicando a presença de aminas produzidas por bactérias anaeróbias.
A vaginose bacteriana é uma disbiose polimicrobiana, com redução de lactobacilos e proliferação de bactérias anaeróbias como Gardnerella vaginalis, Mobiluncus spp., Mycoplasma hominis e Bacteroides spp.
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