Corrimento Vaginal Misto: Diagnóstico e Tratamento

FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2023

Enunciado

L.U.A tem 32 anos, divorciada, enfermeira, menarca aos 11 anos, nuligesta e IMC 24. De comorbidade tem somente fibrilação atrial e faz uso de dicumarínico (warfarina). Refere estar com corrimento branco há 4 meses, mau cheiro que intensifica durante a relação sexual e menstruação. Informa ainda que teve relação sexual desprotegida há 15 dias e que o corrimento agora tornou-se mais volumoso. O exame especular evidenciou colo de aspecto tigróide e secreção branca-amarelada. Nesta consulta aproveitou para mostrar o exame preventivo de colo realizados há 4 meses o qual continha Cândida. Qual é o diagnóstico sindrômico mais provável para o corrimento e o tratamento mais eficaz e eficiente?

Alternativas

  1. A) Vaginose bacteriana e Tricomoníase. Tratamento: Clíndamicina associada a Tinidazol ou Secnidazol.
  2. B) Tricomosíase, Candidíase e Vaginose bacterina. Tratamento: Metronidazol associado ao Fluconazol.
  3. C) Vaginose bacteriana, Tricomoníase e Candidíase. Tratamento: Clindamicina associada ao Fluconazol.
  4. D) Vaginose bacteriana e Tricomoníase. Tratamento: Clindamicina.

Pérola Clínica

Corrimento com mau cheiro (pós-coito/menstruação) + colo tigróide → Vaginose Bacteriana + Tricomoníase.

Resumo-Chave

A paciente apresenta sintomas clássicos de vaginose bacteriana (mau cheiro que intensifica com relação sexual e menstruação) e tricomoníase (colo tigróide, secreção branca-amarelada, volumosa). A história de uso de varfarina é crucial, pois o metronidazol, comum no tratamento de ambas, interage com anticoagulantes, aumentando o risco de sangramento. Clindamicina para vaginose e Tinidazol/Secnidazol para tricomoníase são alternativas seguras e eficazes.

Contexto Educacional

O corrimento vaginal é uma queixa ginecológica extremamente comum, e seu diagnóstico diferencial é crucial para um tratamento eficaz. A vaginose bacteriana (VB) é a causa mais frequente de corrimento, resultante de um desequilíbrio da microbiota vaginal, com proliferação de bactérias anaeróbias. A tricomoníase, causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis, é uma infecção sexualmente transmissível (IST) que pode coexistir com a VB, apresentando sintomas sobrepostos ou distintos. A candidíase, embora mencionada no preventivo anterior, não parece ser a causa principal dos sintomas atuais. O diagnóstico sindrômico é baseado na história clínica e no exame físico. O odor fétido que piora com o pH alcalino (sêmen, sangue menstrual) é um forte indicativo de VB. O aspecto 'tigróide' do colo é patognomônico de tricomoníase. A presença de múltiplos sintomas sugere uma infecção mista. É fundamental considerar comorbidades e medicações do paciente, como o uso de varfarina, que contraindica ou exige cautela extrema com o metronidazol devido ao risco de interação e potencialização do efeito anticoagulante, aumentando o INR e o risco de sangramento. O tratamento deve ser direcionado para os patógenos identificados. Para vaginose bacteriana, a clindamicina (oral ou creme vaginal) é uma excelente opção. Para tricomoníase, o tinidazol ou secnidazol são alternativas eficazes ao metronidazol, especialmente em pacientes com interações medicamentosas. O tratamento de parceiros sexuais é recomendado na tricomoníase para evitar reinfecção. A educação da paciente sobre higiene e prevenção de ISTs é parte integrante do manejo.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da vaginose bacteriana?

A vaginose bacteriana é caracterizada por corrimento branco-acinzentado, homogêneo, com odor fétido (cheiro de peixe), que se intensifica após a relação sexual e durante a menstruação. Prurido e irritação são menos comuns.

Como identificar a tricomoníase no exame ginecológico?

A tricomoníase pode ser identificada por um corrimento amarelo-esverdeado, espumoso e abundante, associado a prurido vulvovaginal, disúria e dispareunia. O exame especular pode revelar um colo uterino com aspecto 'tigróide' ou 'framboesa', devido a micro-hemorragias.

Quais as opções de tratamento para vaginose bacteriana e tricomoníase em pacientes anticoaguladas?

Para vaginose bacteriana, a clindamicina (oral ou tópica) é uma opção. Para tricomoníase, o tinidazol ou secnidazol são preferíveis ao metronidazol em pacientes anticoaguladas com varfarina, devido ao menor risco de interação medicamentosa e potencialização do efeito anticoagulante.

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