Vaginose Bacteriana: Diagnóstico e Tratamento Eficaz

IHOA - Instituto e Hospital Oftalmológico de Anápolis (GO) — Prova 2020

Enunciado

V.M.B., de 35 anos, comparece à consulta com queixa de leucorreia clara, prurido e irritação vulvovaginal, além de odor desagradável, que piora após a relação sexual, há 5 dias. Ao exame a fresco da secreção vaginal, apresentou pH >4,5, com teste de Whiff positivo e >20% de clue cells. Quais são a hipótese diagnóstica e o tratamento recomendado?

Alternativas

  1. A) vaginose bacteriana; metronidazol 500 mg via oral a cada 12 horas, por 7 dias
  2. B) tricomoníase; metronidazol 2 g via oral, em dose única
  3. C) candidíase; fluconazol 150 mg via oral, em dose única
  4. D) clamídia; azitromicina 1 g via oral; em dose única

Pérola Clínica

Leucorreia com odor fétido, pH >4,5, Whiff +, clue cells → Vaginose bacteriana = Metronidazol.

Resumo-Chave

A vaginose bacteriana é caracterizada por um desequilíbrio da microbiota vaginal, com redução de lactobacilos e proliferação de bactérias anaeróbias, como Gardnerella vaginalis. Os critérios de Amsel (pH >4,5, teste de Whiff positivo, clue cells e corrimento homogêneo) são essenciais para o diagnóstico.

Contexto Educacional

A vaginose bacteriana (VB) é a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva, caracterizada por um desequilíbrio da flora vaginal normal. Em vez de uma infecção por um único patógeno, a VB é uma disbiose, com diminuição dos lactobacilos produtores de peróxido de hidrogênio e supercrescimento de bactérias anaeróbias, como Gardnerella vaginalis, Mobiluncus e Mycoplasma hominis. O diagnóstico da VB é clínico e laboratorial, utilizando os Critérios de Amsel. Estes incluem a presença de corrimento vaginal homogêneo, pH vaginal elevado (>4,5), teste de Whiff positivo (odor de peixe após adição de KOH à secreção) e a visualização de "clue cells" (células epiteliais vaginais recobertas por bactérias) no exame microscópico a fresco. A queixa de odor fétido, especialmente após a relação sexual, é um sintoma chave. O tratamento visa restaurar o equilíbrio da flora vaginal e aliviar os sintomas. O metronidazol (oral ou tópico) e a clindamicina (oral ou tópica) são as opções mais eficazes. É importante tratar a paciente sintomática para evitar complicações como doença inflamatória pélvica, infecções pós-operatórias ginecológicas e resultados adversos na gravidez. O tratamento do parceiro sexual não é rotineiramente recomendado.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para vaginose bacteriana (Critérios de Amsel)?

Os Critérios de Amsel incluem: 1) Corrimento vaginal homogêneo, fino e branco-acinzentado; 2) pH vaginal > 4,5; 3) Teste de Whiff (ou teste das aminas) positivo; 4) Presença de clue cells (>20%) no exame microscópico a fresco. São necessários pelo menos três dos quatro critérios.

Por que o odor vaginal piora após a relação sexual na vaginose bacteriana?

O odor desagradável, descrito como "cheiro de peixe", é causado pela liberação de aminas voláteis produzidas pelas bactérias anaeróbias. Esse odor piora após a relação sexual devido à alcalinização do pH vaginal pelo sêmen, que intensifica a volatilização das aminas.

Qual o tratamento de primeira linha para vaginose bacteriana?

O tratamento de primeira linha é o metronidazol, que pode ser administrado por via oral (500 mg 2x/dia por 7 dias) ou tópico (gel vaginal 0,75% por 5 dias). A clindamicina (creme vaginal 2% por 7 dias ou óvulos) é uma alternativa eficaz.

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