Vaginose Bacteriana: Entenda o Odor de Peixe e Causas

CMC - Fundação Centro Médico de Campinas (SP) — Prova 2023

Enunciado

Em paciente com diagnóstico de vaginose bacteriana, o odor de peixe liberado após aplicação de hidróxido de potássio é devido à liberação de:

Alternativas

  1. A) ácido lático.
  2. B) cadaverina e putrescina.
  3. C) ácido málico.
  4. D) ácido acético.

Pérola Clínica

Odor de peixe na vaginose bacteriana = liberação de cadaverina e putrescina após KOH.

Resumo-Chave

O odor característico de 'peixe podre' na vaginose bacteriana, exacerbado pelo teste de Whiff com KOH, é causado pela liberação de aminas voláteis, principalmente cadaverina e putrescina, produzidas por bactérias anaeróbias.

Contexto Educacional

A vaginose bacteriana (VB) é a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva, resultante de um desequilíbrio na microbiota vaginal. Caracteriza-se pela diminuição dos lactobacilos produtores de peróxido de hidrogênio e pelo supercrescimento de bactérias anaeróbias, como Gardnerella vaginalis, Mobiluncus spp. e Mycoplasma hominis. A compreensão de sua fisiopatologia e diagnóstico é fundamental para residentes e estudantes de medicina. Um dos sinais clínicos mais característicos da VB é o odor vaginal fétido, frequentemente descrito como 'cheiro de peixe podre', que se torna mais intenso após o coito ou durante a menstruação. Esse odor é devido à produção de aminas voláteis, como cadaverina, putrescina e trimetilamina, pelas bactérias anaeróbias. O teste de Whiff, que consiste na adição de uma gota de hidróxido de potássio (KOH) a 10% a uma amostra de corrimento vaginal, potencializa a liberação dessas aminas, tornando o odor mais evidente e auxiliando no diagnóstico. O diagnóstico da vaginose bacteriana é clínico e laboratorial, utilizando os Critérios de Amsel ou a coloração de Gram (escore de Nugent). O tratamento geralmente envolve antibióticos, como metronidazol (oral ou tópico) ou clindamicina (tópica), visando restaurar o equilíbrio da flora vaginal. É importante ressaltar que a VB não é considerada uma doença sexualmente transmissível clássica, mas pode estar associada a um risco aumentado de adquirir outras DSTs e complicações obstétricas.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para vaginose bacteriana?

Os critérios de Amsel incluem: corrimento vaginal homogêneo, branco-acinzentado; pH vaginal > 4,5; teste de Whiff positivo (odor de peixe após adição de KOH); e presença de células-chave (clue cells) na microscopia. Três dos quatro critérios confirmam o diagnóstico.

Por que o hidróxido de potássio (KOH) é usado no teste de Whiff?

O KOH é uma base forte que alcaliniza o ambiente, liberando as aminas voláteis (cadaverina e putrescina) que são responsáveis pelo odor característico de 'peixe podre' na vaginose bacteriana. Isso torna o odor mais perceptível e auxilia no diagnóstico.

Quais são as principais bactérias associadas à vaginose bacteriana?

A vaginose bacteriana é uma disbiose, caracterizada pela diminuição dos lactobacilos protetores e supercrescimento de bactérias anaeróbias, como Gardnerella vaginalis, Mobiluncus spp., Mycoplasma hominis e Prevotella spp. A Gardnerella é frequentemente a mais abundante.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo