Vaginose Bacteriana: Diagnóstico pelos Critérios de Amsel

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2011

Enunciado

Paciente do sexo feminino, com 20 anos de idade, vai à Unidade Básica de Saúde queixandose de corrimento genital presente há um mês, de coloração esbranquiçada, em quantidade abundante, com odor fétido, que piora após o coito. Não relata outros sintomas associados. A paciente iniciou a atividade sexual há um ano e, nesse período, teve três parceiros sexuais. Atualmente tem apenas um parceiro e, nas relações sexuais, faz uso ocasional de preservativo. Ao exame especular vaginal foi observado corrimento vaginal esbranquiçado e abundante, fétido, e ausência de anormalidades nas paredes vaginais e colo uterino. O teste de aminas foi positivo e o pH=5,5. Qual o diagnóstico principal e o tratamento adequado para esta paciente?

Alternativas

  1. A) Tricomoníase. Tratar com metronidazol, por via oral, durante sete dias, e o parceiro com metronidazol em dose única.
  2. B) Candidíase vulvovaginal. Tratar a paciente com fluconazol, por via oral, em dose única.
  3. C) Vaginose bacteriana. Tratar a paciente com metronidazol, por via oral, durante sete dias.
  4. D) Gonorreia. Tratar a paciente e o parceiro com azitromicina em dose única.
  5. E) Infecção por clamídia. Tratar a paciente com doxiciclina por 14 dias e o parceiro, com azitromicina em dose única.

Pérola Clínica

Corrimento branco-acinzentado + Odor de peixe (Whiff test +) + pH > 4,5 = Vaginose Bacteriana.

Resumo-Chave

A vaginose bacteriana decorre do desequilíbrio da flora vaginal, com redução de lactobacilos e aumento de anaeróbios. O tratamento de escolha é o metronidazol.

Contexto Educacional

A vaginose bacteriana (VB) é a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva. Caracteriza-se pela substituição dos Lactobacillus sp. (produtores de peróxido de hidrogênio) por uma flora polimicrobiana anaeróbia, incluindo Gardnerella vaginalis, Atopobium vaginae e Mobiluncus sp. Essa alteração eleva o pH vaginal e produz aminas voláteis responsáveis pelo odor característico. Embora muitas vezes assintomática, a VB está associada a riscos obstétricos, como parto prematuro e ruptura prematura de membranas, além de aumentar a susceptibilidade à aquisição de ISTs, incluindo o HIV. O diagnóstico diferencial deve incluir candidíase (prurido, pH normal, placas esbranquiçadas) e tricomoníase (corrimento amarelo-esverdeado, colo em framboesa, protozoário móvel no exame a fresco).

Perguntas Frequentes

O que são os Critérios de Amsel?

Os Critérios de Amsel são utilizados para o diagnóstico clínico da vaginose bacteriana. São necessários 3 de 4 critérios: 1) Corrimento branco-acinzentado, homogêneo e fino; 2) pH vaginal > 4,5; 3) Teste das aminas (Whiff test) positivo (odor fétido após adição de KOH a 10%); 4) Presença de 'clue cells' (células-alvo) na microscopia a fresco. No caso apresentado, a paciente possui o corrimento típico, pH de 5,5 e teste de aminas positivo, confirmando o diagnóstico.

Qual o tratamento padrão para vaginose bacteriana?

O tratamento de primeira linha é o Metronidazol, podendo ser administrado por via oral (500 mg de 12/12h por 7 dias) ou por via vaginal (gel a 0,75% por 5 noites). Opções alternativas incluem a Clindamicina. É fundamental orientar a paciente a evitar o consumo de álcool durante o uso de metronidazol devido ao efeito antabuse (dissulfiram-like).

É necessário tratar o parceiro na vaginose bacteriana?

Não. Estudos clínicos demonstraram que o tratamento do parceiro sexual masculino não melhora as taxas de cura da paciente nem reduz a incidência de recidivas. A vaginose bacteriana é considerada um desequilíbrio da flora vaginal (disbiose) e não uma infecção sexualmente transmissível clássica, embora a atividade sexual seja um fator de risco para sua ocorrência.

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