Vaginose Bacteriana: Diagnóstico e Achados Clínicos

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2015

Enunciado

Paciente de 42 anos, queixa-se de corrimento vaginal há uma semana, sem outros sintomas locais e, eventualmente, tem sensação de mal cheiro. Considerando a hipótese de tratar-se de vaginose por Gardnerella vaginalis, assinale a alternativa ERRADA dentre os achados esperados na avaliação clínica e nos exames solicitados:

Alternativas

  1. A) Abundância de neutrófilos na secreção vaginal.
  2. B) Secreção vaginal branco acinzentada com odor forte.
  3. C) Teste das aminas positivo.
  4. D) Achado positivo para clue cells (células em papel rasgado) na citologia a fresco da secreção vaginal.

Pérola Clínica

Vaginose Bacteriana → ↓ Neutrófilos, ↑ Clue cells, pH > 4,5, teste aminas +, corrimento branco-acinzentado.

Resumo-Chave

A vaginose bacteriana, causada principalmente pela Gardnerella vaginalis, é caracterizada por uma disbiose da flora vaginal, com redução de lactobacilos e proliferação de bactérias anaeróbias. Diferente de outras vaginites, a vaginose bacteriana não é uma infecção inflamatória e, portanto, não apresenta abundância de neutrófilos na secreção vaginal.

Contexto Educacional

A vaginose bacteriana (VB) é a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva, resultante de um desequilíbrio na flora vaginal. Caracteriza-se pela diminuição dos lactobacilos produtores de peróxido de hidrogênio e supercrescimento de bactérias anaeróbias, como Gardnerella vaginalis, Mycoplasma hominis e espécies de Prevotella. Embora não seja considerada uma infecção sexualmente transmissível clássica, a VB está associada a um risco aumentado de adquirir outras ISTs e complicações obstétricas e ginecológicas. O diagnóstico da vaginose bacteriana é primariamente clínico, baseado nos critérios de Amsel, que incluem: 1) corrimento vaginal homogêneo, branco-acinzentado; 2) pH vaginal > 4,5; 3) teste das aminas (whiff test) positivo, que libera um odor de peixe após a adição de KOH à secreção; e 4) presença de "clue cells" (células-chave) no exame microscópico a fresco da secreção vaginal. As clue cells são células epiteliais vaginais que aparecem recobertas por bactérias, com bordas indistintas. É crucial para o residente entender que, ao contrário de outras vaginites (como candidíase ou tricomoníase), a vaginose bacteriana não é uma condição inflamatória. Por isso, a presença de abundância de neutrófilos na secreção vaginal é um achado INESPERADO e, se presente, sugere outra etiologia ou uma infecção mista. O tratamento geralmente envolve antibióticos como metronidazol ou clindamicina, administrados por via oral ou tópica, visando restaurar o equilíbrio da flora vaginal e aliviar os sintomas.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios de Amsel para diagnóstico de vaginose bacteriana?

Os critérios de Amsel incluem: corrimento vaginal homogêneo, branco-acinzentado; pH vaginal > 4,5; teste das aminas positivo; e presença de clue cells no exame microscópico a fresco da secreção vaginal.

O que são clue cells e qual sua importância no diagnóstico?

Clue cells são células epiteliais vaginais recobertas por bactérias, principalmente Gardnerella vaginalis. Sua presença é um achado patognomônico da vaginose bacteriana no exame microscópico a fresco.

Por que não há abundância de neutrófilos na vaginose bacteriana?

A vaginose bacteriana é uma disbiose da flora vaginal, não uma infecção inflamatória clássica. A ausência de uma resposta inflamatória significativa explica a baixa ou ausente contagem de neutrófilos na secreção.

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