Vaginose Bacteriana: Diagnóstico e Tratamento Eficaz

UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2020

Enunciado

C.P.S, 25 anos, consulta em pronto atendimento obstétrico com queixa de leucorreia amarela com odor fétido, surgido há 30 dias sem melhora. Refere suspensão da atividade sexual devido ao desconforto, nega dispareunia. Ao exame ginecológico, presença de secreção homogênea, branco acinzentada aderida às paredes vaginais e whiff-test positivo. Diante do quadro, o tratamento adequado será:

Alternativas

  1. A) Fluconazol 150 mg, dose única associado com Metronidazol geleia vaginal por 7 dias.
  2. B) Itraconazol 100 mg 2 comprimidos de 12/12 h, associado com clotrimazol creme vaginal 1 noite por 7 dias.
  3. C) Secnidazol 2 g dose única associado com Clindamicina creme vaginal por 7 dias.
  4. D) Bicarbonato de sódio 2% óvulo vaginal 1 noite por 14 dias e abstinência sexual.

Pérola Clínica

Vaginose Bacteriana (VB) → Secreção homogênea branco-acinzentada, odor fétido (whiff+), pH > 4,5. Tratar com Metronidazol ou Secnidazol.

Resumo-Chave

O quadro clínico de leucorreia amarela com odor fétido, secreção homogênea branco-acinzentada aderida e whiff-test positivo é clássico de Vaginose Bacteriana. O tratamento de escolha inclui nitroimidazóis como Metronidazol ou Secnidazol, ou Clindamicina, por via oral ou tópica.

Contexto Educacional

A Vaginose Bacteriana (VB) é a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva, resultante de um desequilíbrio na microbiota vaginal, com redução de lactobacilos e supercrescimento de bactérias anaeróbias, como Gardnerella vaginalis. Caracteriza-se por leucorreia com odor fétido, especialmente após relação sexual ou menstruação, e é um fator de risco para infecções sexualmente transmissíveis e complicações obstétricas. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de Amsel: corrimento homogêneo branco-acinzentado, pH vaginal > 4,5, whiff-test positivo e presença de 'clue cells' no microscópio. A ausência de dispareunia e inflamação significativa ajuda a diferenciá-la de outras vaginites. É crucial para o residente saber identificar esses sinais para um diagnóstico preciso. O tratamento visa restaurar o equilíbrio da flora vaginal. As opções incluem Metronidazol (oral ou gel vaginal) ou Clindamicina (oral ou creme vaginal). O Secnidazol, um nitroimidazol de dose única, é uma alternativa eficaz e conveniente. A escolha do tratamento deve considerar a adesão da paciente e a presença de gestação. A educação sobre higiene e fatores de risco também é importante para prevenir recorrências.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Vaginose Bacteriana?

Os critérios de Amsel incluem: 1) Corrimento vaginal homogêneo, branco-acinzentado; 2) pH vaginal > 4,5; 3) Whiff-test positivo (odor de peixe após adição de KOH); 4) Presença de células-chave (clue cells) no exame microscópico. São necessários pelo menos três dos quatro critérios.

Qual a principal diferença entre Vaginose Bacteriana e Candidíase Vulvovaginal?

A Vaginose Bacteriana é caracterizada por odor fétido, secreção homogênea e pH vaginal elevado (>4,5), sem inflamação significativa. A Candidíase Vulvovaginal apresenta prurido intenso, secreção branca grumosa ('coalhada') e pH vaginal normal (<4,5), com sinais de inflamação.

Por que o Secnidazol é uma opção de tratamento para Vaginose Bacteriana?

O Secnidazol é um derivado nitroimidazol, assim como o Metronidazol, e é eficaz contra as bactérias anaeróbias associadas à vaginose bacteriana. Sua vantagem é a posologia de dose única oral, o que pode melhorar a adesão ao tratamento.

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