Vaginose Bacteriana: Diagnóstico e Tratamento com Metronidazol

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2022

Enunciado

Mulher 30 anos, solteira, procura atendimento devido a queixa de conteúdo vaginal abundante com odor fétido há cerca de 5 dias. Relata novo parceiro há cerca de 2 meses, em uso de contraceptivo combinado oral. Nega outras queixas clínicas, como alterações menstruais ou disúria. Ao exame: Vulva sem alterações. Ao exame especular: conteúdo fluido algo bolhoso em moderada quantidade, de odor fétido. Colpite ausente. Colo com muco opaco, sem alterações. Teste de pH= 4,8 Resultado de bacterioscopia por Gram: Células escamosas +++ Leucócitos ++ Microbiota constituída por: Bacilos curtos Gram-negativos, cocobacilos Gram variáveis e cocos Gram-positivos. Escore de Nugent= 8. Qual tratamento é mais adequado nesta situação?

Alternativas

  1. A) Azitromicina 1g via oral em dose única.
  2. B) Metronidazol 500mg, via oral, de 12/12 horas por 7 dias.
  3. C) Fluconazol 150 mg via oral em dose única e Metronidazol gel vaginal 7 dias.
  4. D) Ceftriaxona 500mg intramuscular, Azitromicina 1g em dose única e Metronidazol gel vaginal 7 dias.

Pérola Clínica

Corrimento fétido + pH 4.8 + Escore de Nugent 8 → Vaginose Bacteriana; Tratar com Metronidazol oral 7 dias.

Resumo-Chave

O quadro clínico de corrimento vaginal com odor fétido, pH vaginal ligeiramente elevado (4.8) e um escore de Nugent de 8 (diagnóstico de vaginose bacteriana) indica a necessidade de tratamento para Vaginose Bacteriana. O Metronidazol oral por 7 dias é uma terapia de primeira linha eficaz.

Contexto Educacional

A vaginose bacteriana (VB) é a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva, caracterizada por um desequilíbrio da microbiota vaginal. Não é considerada uma infecção sexualmente transmissível clássica, mas está associada a fatores como múltiplos parceiros sexuais e duchas vaginais. A fisiopatologia envolve a diminuição dos lactobacilos produtores de peróxido de hidrogênio e o supercrescimento de bactérias anaeróbias, como Gardnerella vaginalis, Mobiluncus e Mycoplasma hominis. O diagnóstico é feito clinicamente pelos critérios de Amsel (corrimento homogêneo, pH > 4.5, teste de whiff positivo e presença de "clue cells") ou, de forma mais precisa, pela microscopia do Gram com o escore de Nugent. Um escore de Nugent de 7 a 10 é diagnóstico de VB, indicando uma mudança significativa na flora vaginal. Os sintomas incluem corrimento branco-acinzentado, homogêneo, com odor fétido ("cheiro de peixe") que piora após o coito ou menstruação. O tratamento visa restaurar o equilíbrio da microbiota vaginal. As opções de primeira linha incluem Metronidazol (oral ou gel vaginal) ou Clindamicina (creme vaginal ou óvulos). O Metronidazol oral 500 mg duas vezes ao dia por 7 dias é um regime eficaz. É importante orientar a paciente sobre a abstinência de álcool durante o tratamento com Metronidazol devido ao efeito dissulfiram-like. O tratamento do parceiro masculino não é recomendado, pois não previne recorrências.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para vaginose bacteriana?

Os critérios de Amsel incluem: corrimento vaginal homogêneo, pH vaginal > 4.5, teste de whiff positivo e presença de "clue cells" (células-chave) na microscopia. O escore de Nugent na coloração de Gram é o padrão-ouro.

Por que o Metronidazol é o tratamento de escolha para vaginose bacteriana?

O Metronidazol é um antibiótico com excelente atividade contra bactérias anaeróbias, que são as principais responsáveis pelo desequilíbrio da microbiota vaginal na vaginose bacteriana.

Qual a importância do pH vaginal no diagnóstico de vaginose bacteriana?

O pH vaginal na vaginose bacteriana é tipicamente elevado (> 4.5), devido à diminuição dos lactobacilos produtores de ácido lático e ao aumento de bactérias anaeróbias, que produzem aminas voláteis.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo