Vaginose Bacteriana: Diagnóstico e Achados Chave

SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2024

Enunciado

Uma paciente com secreção branco-acinzentado e odor fétido de início há uma semana procurou a consulta de ginecologia referindo que tem piora após a menstruação e após relação sexual, sem dispareunia associada. Com base nesse caso clínico, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A infecção por fungos, também conhecida como candidíase, relaciona-se com os sintomas do caso mencionado.
  2. B) Os achados mais comuns no exame a fresco dessa paciente incluem a presença das células gigantes de Tzanck.
  3. C) O pH vaginal compatível com essa infecção seria em torno de 6, com presença de bacilos diminutos ao redor das células escamosas.
  4. D) Por ser uma doença sexualmente transmissível, é necessário o tratamento do parceiro em conjunto.
  5. E) Caso o exame a fresco observasse a presença de células flageladas, o diagnóstico de vaginose poderia ser confirmado.

Pérola Clínica

Secreção branco-acinzentada, odor fétido (piora pós-coito/menstruação), pH > 4.5 e clue cells → Vaginose Bacteriana.

Resumo-Chave

A vaginose bacteriana é caracterizada por um desequilíbrio da flora vaginal, com redução de lactobacilos e proliferação de bactérias anaeróbias. Os sintomas clássicos incluem secreção branco-acinzentada, odor fétido (especialmente após relação sexual ou menstruação devido à alcalinização do pH), e ausência de dispareunia significativa. O diagnóstico é clínico e laboratorial, com pH vaginal elevado e presença de clue cells.

Contexto Educacional

A vaginose bacteriana (VB) é a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva, resultante de um desequilíbrio da microbiota vaginal. Caracteriza-se pela redução dos lactobacilos produtores de peróxido de hidrogênio e supercrescimento de bactérias anaeróbias, como Gardnerella vaginalis, Mycoplasma hominis e Prevotella spp. Sua importância clínica reside no desconforto que causa e no aumento do risco de complicações ginecológicas e obstétricas, como doença inflamatória pélvica, infecções pós-cirúrgicas e parto prematuro. O diagnóstico da VB é primariamente clínico, baseado nos Critérios de Amsel. Os achados incluem secreção vaginal homogênea, branco-acinzentada, com odor fétido (especialmente após coito ou menstruação), pH vaginal elevado (>4,5) e a presença de 'clue cells' (células epiteliais vaginais cobertas por bactérias) no exame microscópico a fresco. O teste de Whiff, que detecta o odor de aminas após a adição de hidróxido de potássio (KOH) à secreção, também é um critério importante. O tratamento da vaginose bacteriana geralmente envolve antibióticos como metronidazol (oral ou tópico) ou clindamicina (tópica). É crucial diferenciar a VB de outras vaginites, como candidíase e tricomoníase, pois o tratamento é distinto. A VB não é considerada uma doença sexualmente transmissível no sentido tradicional, e o tratamento do parceiro masculino não é rotineiramente indicado. A educação da paciente sobre higiene íntima e fatores de risco pode auxiliar na prevenção de recorrências.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para vaginose bacteriana?

Os critérios de Amsel incluem: 1) Secreção vaginal homogênea, branco-acinzentada; 2) pH vaginal > 4,5; 3) Teste de Whiff positivo (odor de amina após adição de KOH); 4) Presença de clue cells (células epiteliais com bactérias aderidas) no exame microscópico a fresco. São necessários pelo menos três dos quatro critérios.

Por que o pH vaginal é elevado na vaginose bacteriana?

O pH vaginal é elevado (>4,5) na vaginose bacteriana devido à diminuição dos lactobacilos, que são responsáveis pela produção de ácido lático e manutenção do pH ácido normal. A proliferação de bactérias anaeróbias eleva o pH, criando um ambiente favorável para seu crescimento.

A vaginose bacteriana é considerada uma doença sexualmente transmissível (DST)?

Embora a vaginose bacteriana seja mais comum em mulheres sexualmente ativas, ela não é classificada como uma DST clássica, pois não é transmitida exclusivamente por contato sexual. O tratamento do parceiro masculino não é rotineiramente recomendado, a menos que seja um parceiro feminino.

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