Vaginose Bacteriana em Adolescentes: Diagnóstico e Manejo

UNIRV - Universidade de Rio Verde (GO) — Prova 2022

Enunciado

M.P.A. tem 15 anos e compareceu à Unidade Básica de Saúde do seu bairro para consulta ginecológica previamente agendada. Refere no momento da consulta que começou a ter relação sexual há 2 meses. Refere também que está com um corrimento fétido tipo ''peixe podre'' e não quer engravidar agora apesar de ter encontrado o parceiro ideal, com quem pretende se casar e ter filhos num futuro próximo. Assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Deverá ser orientada sobre a importância do uso de preservativo, prescrever ACO e metronidazol.
  2. B) O pH dessa secreção vaginal será menor que 4,2 e encontramos um aumento dos lactobacilos e leucócitos.
  3. C) Deverá ser prescrito um comprimido de fluconazol 150mg e creme vaginal de cetoconazol.
  4. D) Na cultura dessa secreção, encontramos a presença de um protozoário flagelado em movimento.

Pérola Clínica

Corrimento "peixe podre" em adolescente sexualmente ativa → Vaginose Bacteriana + necessidade de contracepção e prevenção de ISTs.

Resumo-Chave

O quadro de corrimento fétido tipo "peixe podre" é clássico de vaginose bacteriana, que é tratada com metronidazol. Em adolescentes sexualmente ativas, é crucial abordar a contracepção (ACO) e a prevenção de ISTs (preservativo), mesmo que a paciente refira parceiro "ideal".

Contexto Educacional

A vaginose bacteriana (VB) é a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva, caracterizada por um desequilíbrio da microbiota vaginal, com redução de lactobacilos e supercrescimento de bactérias anaeróbias, como a Gardnerella vaginalis. Embora não seja considerada uma infecção sexualmente transmissível (IST), a atividade sexual é um fator de risco. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de Amsel, e a queixa de corrimento com odor fétido ("peixe podre") é altamente sugestiva. Em adolescentes, a abordagem da saúde sexual e reprodutiva deve ser integral. Além do tratamento da VB, é imperativo discutir contracepção e prevenção de ISTs. A escolha do método contraceptivo deve ser individualizada, considerando a eficácia, segurança e adesão da paciente. Os anticoncepcionais orais combinados são uma opção comum, mas o uso de preservativo é essencial para a dupla proteção (gravidez e ISTs). O tratamento da vaginose bacteriana é eficaz com metronidazol ou clindamicina. É importante reforçar a adesão ao tratamento e a importância do acompanhamento. Aconselhamento sobre práticas sexuais seguras, incluindo o uso consistente e correto de preservativos, é fundamental para a saúde a longo prazo da adolescente, prevenindo não apenas ISTs, mas também gestações não planejadas.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para vaginose bacteriana?

Os critérios de Amsel incluem corrimento vaginal homogêneo, branco-acinzentado; pH vaginal > 4,5; teste de aminas positivo (odor de "peixe podre" após KOH 10%); e presença de "clue cells" (células-chave) no exame microscópico.

Qual o tratamento de primeira linha para vaginose bacteriana?

O tratamento de primeira linha é com metronidazol, que pode ser administrado por via oral (500mg, 2x/dia por 7 dias) ou tópico (gel vaginal 0,75%, 1x/dia por 5 dias). Clindamicina é uma alternativa.

Por que é importante orientar o uso de preservativo e contracepção em adolescentes com vaginose bacteriana?

A vaginose bacteriana não é uma IST, mas sua presença pode aumentar o risco de aquisição de outras ISTs. Além disso, a adolescente é sexualmente ativa e expressou desejo de não engravidar, tornando a orientação sobre preservativo (dupla proteção) e contracepção hormonal fundamental.

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