ENARE/ENAMED — Prova 2023
Uma paciente de 40 anos apresenta leucorreia de odor fétido. Na citologia oncótica cervical, foi demonstrada a presença de clue-cells. Sobre esse assunto, informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma a seguir e assinale a alternativa com a sequência correta.( ) O teste de aminas possivelmente será positivo.( ) O PH vaginal, nesse caso, será menor que 4,5.( ) Gardnerella vaginalis, Bacterioides, Mobiluncus e Peptococcus fazem parte da flora normal, desde que em pequenas quantidades.( ) Nesse caso, é necessário o tratamento do parceiro.
Vaginose bacteriana: clue-cells, teste de aminas +, pH > 4,5. Não trata parceiro masculino.
A vaginose bacteriana é caracterizada por um desequilíbrio da flora vaginal, com proliferação de bactérias anaeróbias e redução de lactobacilos. O diagnóstico é clínico-laboratorial, incluindo a presença de clue-cells, teste de aminas positivo e pH vaginal elevado (> 4,5). O tratamento do parceiro masculino não é indicado, pois não previne recorrências nem melhora o prognóstico da paciente.
A vaginose bacteriana (VB) é a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva, resultante de um desequilíbrio da microbiota vaginal normal. Caracteriza-se pela diminuição dos lactobacilos produtores de peróxido de hidrogênio e supercrescimento de bactérias anaeróbias, como Gardnerella vaginalis, Bacteroides, Mobiluncus e Peptococcus. Clinicamente, manifesta-se por leucorreia de odor fétido (odor de peixe), especialmente após relação sexual ou menstruação, e prurido. O diagnóstico da VB é feito pelos critérios de Amsel, que incluem: corrimento vaginal homogêneo, pH vaginal > 4,5, teste de aminas positivo (odor de peixe ao adicionar KOH à secreção) e presença de clue-cells (células epiteliais vaginais recobertas por bactérias) no exame microscópico. É importante ressaltar que o pH vaginal elevado é uma característica chave da VB, ao contrário de outras infecções como a candidíase. Embora Gardnerella vaginalis e outras bactérias anaeróbias possam fazer parte da flora normal em pequenas quantidades, na VB há um desequilíbrio e supercrescimento. O tratamento da vaginose bacteriana é direcionado à paciente, geralmente com metronidazol (oral ou tópico) ou clindamicina (oral ou tópico). Uma questão frequente é sobre o tratamento do parceiro sexual. As diretrizes atuais não recomendam o tratamento rotineiro do parceiro masculino, pois não há evidências de que isso previna recorrências na mulher ou melhore o prognóstico. Para residentes, é fundamental dominar esses aspectos diagnósticos e terapêuticos para um manejo adequado da vaginose bacteriana.
Os critérios de Amsel para vaginose bacteriana incluem: corrimento vaginal homogêneo, fino e branco-acinzentado; pH vaginal maior que 4,5; teste de aminas (whiff test) positivo; e presença de clue-cells no exame microscópico a fresco. São necessários pelo menos três dos quatro critérios.
O pH vaginal se eleva na vaginose bacteriana (geralmente > 4,5) devido à redução dos lactobacilos, que são responsáveis pela produção de ácido lático e manutenção de um pH ácido. A proliferação de bactérias anaeróbias na vaginose bacteriana aumenta o pH vaginal.
Não, o tratamento do parceiro sexual masculino não é recomendado para vaginose bacteriana. Estudos mostram que o tratamento do parceiro não previne recorrências na mulher nem melhora o desfecho clínico.
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