Vaginose Bacteriana: Diagnóstico e Tratamento Eficaz

HVC - Hospital Vera Cruz (SP) — Prova 2024

Enunciado

Mulher de 37 anos de idade compareceu à unidade de pronto atendimento com queixa de leucorreia de odor fétido e prurido vaginal há 1 semana. É previamente hígida e não faz uso de medicações contínuas. Relata ter vida sexual ativa, com múltiplos parceiros e uso irregular de preservativo. É usuária de dispositivo intrauterino (DIU) de cobre há 2 anos, relatando ter ciclos menstruais regulares e negando atraso menstrual atual. Ao exame, apresenta leucorreia amarelada em moderada quantidade, de odor fétido, e hiperemia de mucosa vaginal. Qual é o tratamento inicial adequado para esta paciente?

Alternativas

  1. A) Fluconazol 200mg/dia por 14 dias.
  2. B) Amoxicilina 500mg de 8 em 8 horas por 5 dias.
  3. C) Metronidazol 500mg de 12 em 12 horas por 7 dias.
  4. D) Miconazol creme vaginal por 7 noites.

Pérola Clínica

Vaginose Bacteriana: leucorreia amarelada, odor fétido (peixe), prurido, pH > 4.5, células-chave. Tratamento: Metronidazol.

Resumo-Chave

A vaginose bacteriana é a causa mais comum de leucorreia em mulheres em idade reprodutiva, caracterizada por um desequilíbrio da microbiota vaginal. Os sintomas incluem leucorreia de odor fétido (especialmente após coito), prurido e disúria. O diagnóstico é clínico (critérios de Amsel) e o tratamento de escolha é o metronidazol.

Contexto Educacional

A vaginose bacteriana (VB) é a causa mais comum de leucorreia em mulheres em idade reprodutiva, resultando de um desequilíbrio da microbiota vaginal, com diminuição dos lactobacilos protetores e proliferação de bactérias anaeróbias, como a Gardnerella vaginalis. Embora não seja considerada uma infecção sexualmente transmissível (IST) clássica, a atividade sexual é um fator de risco. A VB pode aumentar o risco de adquirir outras ISTs e está associada a complicações obstétricas e ginecológicas. O quadro clínico típico inclui leucorreia homogênea, fina, branco-acinzentada, com odor fétido (semelhante a peixe podre), que se intensifica após o coito ou menstruação. Pode haver prurido e disúria. O diagnóstico é clínico, baseado nos Critérios de Amsel, que incluem: leucorreia característica, pH vaginal > 4,5, teste das aminas positivo e presença de células-chave (clue cells) na microscopia do esfregaço vaginal. O tratamento de escolha para a vaginose bacteriana é o metronidazol, que pode ser administrado por via oral (500mg 2x/dia por 7 dias) ou tópica (gel vaginal 0,75% 1x/dia por 5 dias ou óvulos). Outras opções incluem clindamicina. É importante orientar a paciente sobre a abstinência de álcool durante o tratamento com metronidazol oral devido ao efeito dissulfiram-like. O tratamento do parceiro masculino não é recomendado, pois não demonstrou reduzir as taxas de recorrência.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para vaginose bacteriana (Critérios de Amsel)?

Os Critérios de Amsel incluem a presença de pelo menos três dos quatro seguintes: leucorreia homogênea, fina e branco-acinzentada; pH vaginal > 4,5; teste das aminas positivo (odor de peixe após adição de KOH); e presença de células-chave (clue cells) na microscopia.

Por que o metronidazol é o tratamento de escolha para vaginose bacteriana?

O metronidazol é eficaz contra as bactérias anaeróbias que proliferam na vaginose bacteriana, como a Gardnerella vaginalis, restaurando o equilíbrio da flora vaginal. Pode ser administrado por via oral ou tópica (creme vaginal ou óvulos).

A vaginose bacteriana é considerada uma infecção sexualmente transmissível (IST)?

Embora a atividade sexual seja um fator de risco, a vaginose bacteriana não é classificada como uma IST clássica, pois é um desequilíbrio da flora vaginal e não uma infecção por um patógeno externo. O tratamento do parceiro masculino geralmente não é recomendado.

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