Vaginose Bacteriana: Diagnóstico e Tratamento na APS

HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2023

Enunciado

Na APS é frequente a queixa de corrimento vaginal nas mulheres durante a menacme. Entre as opções abaixo, a que correlaciona sintomas, o exame físico e o tratamento corretamente é: 

Alternativas

  1. A) Corrimento branco e prurido vaginal intenso. Especular mostra placas brancas recobrindo partes da parede vaginal e colo e secreção branca espessa. Fluconazol 150 mg, via oral, 1 × semana, por 6 meses. 
  2. B) Corrimento branco ou amarelado, com odor fétido e piora após relações sexuais. Exame especular mostra grande quantidade de secreção fluida branca, com bolhas. Metronidazol 100 mg/g em gel – aplicação intravaginal por 5 noites.
  3. C) Corrimento amarelado em pequena quantidade, intermitente, fétido. Exame especular mostra secreção fluida amarelada, sem lesões mucosas. Miconazol 2% creme, via vaginal, por 7 noites. 
  4. D) Corrimento de aspecto mucoso, transparente ou esbranquiçado, piora no meio do ciclo menstrual. Exame especular mostra vulva, vagina e colo do útero sem alterações, pequena quantidade de muco claro. Nistatina 100.000 UI, via vaginal, por 14 noites.
  5. E) Corrimento amarelo-esverdeado, em grande quantidade. Exame especular mostra eritema de mucosa vaginal e pericervical associado a secreção amarelada em grande quantidade com bolhas. Metronidazol 100 mg/g em gel – aplicação intravaginal por 14 noites.

Pérola Clínica

Vaginose Bacteriana: corrimento branco-acinzentado, odor fétido (peixe), piora pós-coito, pH > 4,5, clue cells.

Resumo-Chave

A vaginose bacteriana é a causa mais comum de corrimento vaginal na menacme, caracterizada por desequilíbrio da microbiota vaginal. O diagnóstico é clínico (critérios de Amsel) e o tratamento com metronidazol (oral ou tópico) é eficaz.

Contexto Educacional

A vaginose bacteriana (VB) é a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva, representando um desequilíbrio da microbiota vaginal normal, com supercrescimento de bactérias anaeróbias, como Gardnerella vaginalis, e diminuição dos lactobacilos. Sua prevalência é alta na Atenção Primária à Saúde (APS), sendo crucial para a saúde da mulher. O diagnóstico da VB é clínico, baseado nos critérios de Amsel: corrimento vaginal homogêneo, branco-acinzentado; pH vaginal > 4,5; teste das aminas positivo (odor de peixe após adição de KOH); e presença de "clue cells" (células epiteliais vaginais recobertas por bactérias) na microscopia. A suspeita deve surgir com queixa de odor fétido, especialmente após coito. O tratamento da VB visa restaurar a microbiota e aliviar os sintomas. As opções incluem metronidazol oral (500 mg 2x/dia por 7 dias ou dose única de 2g) ou metronidazol gel intravaginal (0,75% 5g/dia por 5 dias). É importante orientar sobre a não necessidade de tratar o parceiro sexual e a prevenção de recorrências.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios de Amsel para o diagnóstico de vaginose bacteriana?

Os critérios de Amsel incluem: corrimento vaginal homogêneo branco-acinzentado, pH vaginal > 4,5, teste das aminas positivo (odor de peixe) e presença de clue cells na microscopia.

Qual o tratamento de primeira linha para vaginose bacteriana?

O tratamento de primeira linha para vaginose bacteriana é metronidazol, que pode ser administrado por via oral (500 mg 2x/dia por 7 dias) ou por via intravaginal (gel 0,75% 5g/dia por 5 dias).

Como diferenciar vaginose bacteriana de outras vaginites?

A diferenciação é feita pela combinação de sintomas, exame físico (aspecto do corrimento), pH vaginal, teste das aminas e microscopia, que revelam características distintas para vaginose, candidíase e tricomoníase.

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