SMS-RJ - Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2021
Mulher com 50 anos de idade queixa-se de descarga vaginal com odor e sem irritação. A vagina não se encontra eritematosa e o exame de colo uterino não revela anormalidades. Relata uso frequente de ducha vaginal para higiene íntima. O patógeno esperado é:
Corrimento com odor 'de peixe', sem irritação + ducha vaginal = Vaginose Bacteriana por Gardnerella vaginalis.
A vaginose bacteriana é uma disbiose da microbiota vaginal, caracterizada por um aumento de bactérias anaeróbias como Gardnerella vaginalis. O uso de duchas vaginais é um fator de risco importante, pois altera o pH e a flora protetora, favorecendo o crescimento desses patógenos.
A vaginose bacteriana (VB) é a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva, sendo uma disbiose da microbiota vaginal caracterizada pela diminuição dos lactobacilos protetores e proliferação de bactérias anaeróbias, como *Gardnerella vaginalis*, *Mobiluncus* e *Mycoplasma hominis*. É um tema relevante para a ginecologia e atenção primária, frequentemente abordado em provas de residência devido à sua alta prevalência e implicações na saúde feminina. Clinicamente, a VB manifesta-se por um corrimento vaginal branco-acinzentado, homogêneo, com odor fétido ('cheiro de peixe'), que pode ser mais perceptível após o coito ou uso de sabonetes alcalinos. Diferentemente de outras infecções, a VB geralmente não causa prurido, disúria ou inflamação vulvovaginal significativa. Fatores de risco incluem múltiplas parcerias sexuais, uso de DIU, tabagismo e, notavelmente, o uso de duchas vaginais, que alteram o pH e a flora vaginal protetora. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de Amsel (corrimento homogêneo, pH vaginal > 4,5, teste de aminas positivo e presença de 'clue cells' no microscópio). O tratamento de escolha é o metronidazol (oral ou tópico) ou clindamicina (oral ou tópico). É fundamental que residentes compreendam a fisiopatologia, os fatores de risco e o manejo adequado da VB para evitar complicações como doença inflamatória pélvica, infecções pós-operatórias e desfechos adversos na gravidez.
A vaginose bacteriana é caracterizada por um corrimento vaginal branco-acinzentado, homogêneo, com odor fétido, frequentemente descrito como 'cheiro de peixe', que se intensifica após a relação sexual ou higiene íntima. Geralmente, não há prurido, dor ou inflamação significativa da vagina ou colo uterino, diferenciando-a de outras vaginites.
O uso frequente de duchas vaginais é um fator de risco conhecido para o desenvolvimento de vaginose bacteriana. As duchas alteram o pH natural da vagina e removem a flora bacteriana protetora (lactobacilos), favorecendo a proliferação de bactérias anaeróbias, como a Gardnerella vaginalis, que são as principais responsáveis pela condição.
O diagnóstico de vaginose bacteriana é feito pelos critérios de Amsel, que incluem: 1) corrimento vaginal homogêneo; 2) pH vaginal > 4,5; 3) teste de aminas positivo (odor de peixe após adição de KOH); e 4) presença de 'clue cells' (células epiteliais vaginais cobertas por bactérias) no exame microscópico. A presença de três dos quatro critérios confirma o diagnóstico.
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