Vaginose Bacteriana: Diagnóstico e Características Clínicas

HOA - Hospital de Olhos de Aparecida de Goiânia (GO) — Prova 2024

Enunciado

Uma paciente apresenta corrimento vaginal de odor desagradável. O exame revela aumento das bactérias anaeróbias e diminuição dos lactobacilos. Qual é o diagnóstico?

Alternativas

  1. A) Candidíase vaginal.
  2. B) Vaginose bacteriana.
  3. C) Tricomoníase.
  4. D) Infecção por Chlamydia.

Pérola Clínica

Corrimento vaginal com odor desagradável + aumento de anaeróbios e ↓ lactobacilos = Vaginose Bacteriana.

Resumo-Chave

A vaginose bacteriana é caracterizada por um desequilíbrio da microbiota vaginal, com proliferação de bactérias anaeróbias e redução dos lactobacilos protetores. O odor desagradável, frequentemente descrito como 'cheiro de peixe', é um sintoma chave, e o diagnóstico é confirmado por critérios clínicos e microscópicos.

Contexto Educacional

A vaginose bacteriana (VB) é a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva, resultante de um desequilíbrio na microbiota vaginal. Caracteriza-se pela substituição dos lactobacilos produtores de peróxido de hidrogênio por uma flora polimicrobiana anaeróbia, incluindo *Gardnerella vaginalis*, *Mycoplasma hominis* e outras bactérias anaeróbias. Embora não seja considerada uma doença sexualmente transmissível (DST), a VB pode aumentar o risco de aquisição de DSTs e de complicações obstétricas e ginecológicas, como doença inflamatória pélvica e parto prematuro. O diagnóstico da vaginose bacteriana é primariamente clínico, baseado nos critérios de Amsel. Estes incluem a presença de corrimento vaginal homogêneo, branco-acinzentado, que recobre as paredes vaginais; pH vaginal maior que 4,5; teste de aminas positivo (odor de peixe após adição de hidróxido de potássio a 10% à secreção vaginal); e a visualização de células-chave (clue cells) em esfregaço vaginal ao microscópio. As células-chave são células epiteliais vaginais recobertas por bactérias, conferindo-lhes um aspecto granuloso. A presença de pelo menos três desses quatro critérios é suficiente para o diagnóstico. O tratamento da vaginose bacteriana visa restaurar o equilíbrio da flora vaginal e aliviar os sintomas. Os antibióticos mais comumente utilizados são metronidazol (oral ou tópico) e clindamicina (tópica). É importante orientar a paciente sobre a natureza da condição, a importância da adesão ao tratamento e a prevenção de recorrências. A compreensão da fisiopatologia e dos critérios diagnósticos é fundamental para o manejo adequado da VB, evitando diagnósticos errôneos e tratamentos inadequados que podem levar à persistência dos sintomas ou a complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para vaginose bacteriana?

O diagnóstico de vaginose bacteriana é feito pelos critérios de Amsel, que incluem: corrimento vaginal homogêneo, branco-acinzentado; pH vaginal > 4,5; teste de aminas positivo (odor de peixe após adição de KOH); e presença de células-chave (clue cells) no exame microscópico. São necessários pelo menos três desses quatro critérios.

Qual a importância da diminuição dos lactobacilos na vaginose bacteriana?

Os lactobacilos são bactérias benéficas que produzem ácido lático, mantendo o pH vaginal ácido e inibindo o crescimento de patógenos. Na vaginose bacteriana, a diminuição dos lactobacilos permite a proliferação de bactérias anaeróbias, elevando o pH e causando os sintomas característicos.

Como diferenciar vaginose bacteriana de candidíase ou tricomoníase?

A vaginose bacteriana apresenta corrimento homogêneo com odor de peixe e pH > 4,5. A candidíase tem corrimento branco, espesso, tipo 'leite coalhado', sem odor, e pH normal (< 4,5). A tricomoníase cursa com corrimento amarelo-esverdeado, bolhoso, com odor fétido, e pH > 4,5, além da presença de tricomonas móveis ao microscópio.

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