Vaginose Bacteriana: Diagnóstico e Achados Clínicos

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 24 anos, queixa-se de leucorreia acinzentada com odor desagradável que piora após atividade sexual. Refere início do quadro há 2 semanas. Exame ginecológico: conteúdo vaginal aumentado, acinzentado e bolhoso; colo uterino de aspecto epitelizado e usual; muco cervical filante e transparente. Realizou-se fita de pH vaginal com resultado de 6,5. Pode-se afirmar que a hipótese diagnóstica mais provável e o achado que melhor auxiliaria a corroborá-la são: 

Alternativas

  1. A) vaginose bacteriana / presença de Clue Cells na citologia à fresco.
  2. B) cervicite gonocócica / presença de diplococos gram negativo no Gram.
  3. C) candidíase vaginal / presença de pseudohifas na citologia à fresco.
  4. D) tricomoníase vaginal / presença do parasita flagelado na citologia à fresco.

Pérola Clínica

Vaginose Bacteriana: leucorreia acinzentada, odor fétido (piora pós-coito), pH >4.5, Clue Cells no microscópio.

Resumo-Chave

A Vaginose Bacteriana (VB) é a causa mais comum de leucorreia, caracterizada por um desequilíbrio da microbiota vaginal. Os achados clássicos incluem corrimento acinzentado, odor de peixe (especialmente após coito), pH vaginal elevado (>4.5) e a presença de 'Clue Cells' no exame microscópico a fresco.

Contexto Educacional

A Vaginose Bacteriana (VB) é a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva, resultante de um desequilíbrio da microbiota vaginal, com redução dos lactobacilos protetores e supercrescimento de bactérias anaeróbias, como Gardnerella vaginalis. Embora não seja considerada uma infecção sexualmente transmissível clássica, a atividade sexual pode influenciar sua ocorrência. A VB está associada a complicações como doença inflamatória pélvica, infecções pós-operatórias ginecológicas e desfechos adversos na gravidez. O diagnóstico da VB é primariamente clínico, baseado nos critérios de Amsel. Os achados típicos incluem leucorreia acinzentada, homogênea e fina, com odor fétido característico de 'peixe' que piora após a relação sexual ou com a adição de hidróxido de potássio (teste de Whiff positivo). O pH vaginal é classicamente elevado (>4,5). A confirmação laboratorial é feita pela microscopia a fresco do corrimento vaginal, que revela a presença de 'Clue Cells' (células epiteliais cobertas por bactérias) e a ausência ou redução de lactobacilos. O tratamento da Vaginose Bacteriana visa restaurar o equilíbrio da microbiota vaginal e aliviar os sintomas. Os antibióticos mais utilizados são o metronidazol (oral ou tópico) e a clindamicina (tópica). É fundamental que residentes saibam diferenciar a VB de outras causas de leucorreia, como candidíase e tricomoníase, para instituir o tratamento correto e prevenir complicações. A educação da paciente sobre higiene e fatores de risco também é importante.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios de Amsel para o diagnóstico de Vaginose Bacteriana?

Os critérios de Amsel incluem: 1) corrimento vaginal homogêneo, fino e acinzentado; 2) pH vaginal > 4,5; 3) teste de Whiff positivo (odor de aminas após adição de KOH); e 4) presença de 'Clue Cells' (células epiteliais vaginais cobertas por bactérias) na microscopia a fresco. São necessários pelo menos três dos quatro critérios para o diagnóstico.

O que são 'Clue Cells' e qual sua importância diagnóstica?

'Clue Cells' são células epiteliais vaginais que estão densamente cobertas por bactérias, especialmente Gardnerella vaginalis, tornando suas bordas indistintas. Sua presença na microscopia a fresco do corrimento vaginal é um achado patognomônico e crucial para o diagnóstico da Vaginose Bacteriana.

Qual o tratamento recomendado para Vaginose Bacteriana?

O tratamento padrão para Vaginose Bacteriana inclui metronidazol (oral ou gel vaginal) ou clindamicina (creme vaginal ou óvulos). É importante tratar a infecção para aliviar os sintomas e reduzir o risco de complicações, como infecções pós-cirúrgicas ou durante a gravidez.

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