Santa Casa de Maceió (AL) — Prova 2015
Paciente de 30 anos, vida sexual ativa, com uso de contraceptivo oral combinado, refere corrimento amarelado com odor fétido, nega prurido, nega disúria, nega dispareunia e sinusorragia. Ao especular, apresenta corrimento amarelo com odor forte e teste das aminas positivo. Presença de Clue Cels à microscopia. Qual é o patógeno MAIS provável?
Corrimento amarelo fétido + teste das aminas positivo + Clue Cells = Vaginose Bacteriana (Gardnerella).
A vaginose bacteriana é caracterizada por um desequilíbrio da flora vaginal, com proliferação de bactérias anaeróbias como a Gardnerella vaginalis. Os achados clássicos são corrimento amarelado/acinzentado com odor fétido (especialmente pós-coito), teste das aminas positivo e a presença de 'clue cells' na microscopia do fluido vaginal.
A vaginose bacteriana (VB) é a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva, resultante de um desequilíbrio da flora vaginal normal, com diminuição dos lactobacilos e proliferação de bactérias anaeróbias, como a Gardnerella vaginalis. Embora não seja considerada uma infecção sexualmente transmissível clássica, a atividade sexual pode influenciar seu desenvolvimento. É importante reconhecer a VB devido ao desconforto que causa e à sua associação com um risco aumentado de outras infecções e complicações obstétricas. O diagnóstico da VB é clínico e laboratorial, utilizando os critérios de Amsel. Os achados característicos incluem corrimento vaginal homogêneo, branco-acinzentado, com odor fétido (especialmente após o coito ou menstruação), pH vaginal elevado (>4,5) e a presença de 'clue cells' (células epiteliais vaginais cobertas por bactérias) na microscopia. O teste das aminas, ou 'whiff test', que consiste na liberação de odor de peixe após a adição de hidróxido de potássio à secreção vaginal, é um achado altamente sugestivo. O tratamento da vaginose bacteriana visa restaurar a flora vaginal normal e aliviar os sintomas. As opções terapêuticas incluem metronidazol (oral ou tópico) ou clindamicina (tópica). É fundamental diferenciar a VB de outras causas de corrimento, como candidíase e tricomoníase, para garantir o tratamento correto. A VB não tratada pode estar associada a complicações como doença inflamatória pélvica, infecções pós-operatórias ginecológicas e desfechos adversos na gravidez, como parto prematuro.
Os critérios de Amsel incluem: 1) corrimento vaginal homogêneo, branco-acinzentado; 2) pH vaginal > 4,5; 3) teste das aminas (whiff test) positivo; e 4) presença de clue cells em mais de 20% das células epiteliais na microscopia. São necessários pelo menos três dos quatro critérios para o diagnóstico.
Ambas podem causar corrimento com odor fétido. No entanto, a tricomoníase geralmente apresenta corrimento espumoso, amarelo-esverdeado, com prurido intenso, disúria e colo uterino em 'framboesa', além de tricomonas móveis na microscopia. A vaginose bacteriana tem corrimento mais homogêneo, pH > 4,5 e clue cells.
O tratamento de primeira linha para vaginose bacteriana inclui metronidazol (oral ou gel vaginal) ou clindamicina (creme vaginal ou óvulos). É importante tratar os sintomas e restaurar o equilíbrio da flora vaginal.
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