Critérios de Amsel e Diagnóstico de Vaginose Bacteriana

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2026

Enunciado

Mulher de 28 anos chega à unidade básica de saúde por apresentar corrimento com odor vaginal fétido que piora durante a menstruação. Nega prurido ou dor em baixo ventre. Ao exame ginecológico observa-se conteúdo vaginal acinzentado aderente à parede vaginal sem sinais de colpite, teste de pH > 4,5 e teste de aminas positivo. Na bacterioscopia, observam-se a presença de “clue cells” e a redução do número de lactobacilos. São considerados critérios diagnósticos de Amsel, presentes nesse caso:

Alternativas

  1. A) Redução do número de lactobacilos e teste de aminas positivo.
  2. B) Ausência de colpite e redução do número de lactobacilos.
  3. C) pH > 4,5 e teste de aminas positivo.
  4. D) pH > 4,5 e ausência de colpite.

Pérola Clínica

Critérios de Amsel (3 de 4) = pH > 4,5 + Aminas (+) + Clue cells + Corrimento branco-acinzentado.

Resumo-Chave

A vaginose bacteriana é um desequilíbrio da flora vaginal (redução de lactobacilos e aumento de anaeróbios) diagnosticada clinicamente pelos critérios de Amsel.

Contexto Educacional

A vaginose bacteriana (VB) representa a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva. Diferente das vaginites inflamatórias, a VB é uma disbiose caracterizada pela substituição dos lactobacilos produtores de peróxido de hidrogênio por uma flora polimicrobiana anaeróbia, incluindo Gardnerella vaginalis, Atopobium vaginae e Mobiluncus spp. Clinicamente, a ausência de sinais inflamatórios (como colpite ou prurido intenso) ajuda a diferenciar a VB da candidíase ou tricomoníase. O diagnóstico laboratorial padrão-ouro é o escore de Nugent (baseado na coloração de Gram), mas na prática clínica, os critérios de Amsel são amplamente utilizados pela sua rapidez e eficácia à beira do leito.

Perguntas Frequentes

Quais são os quatro critérios de Amsel?

Os critérios de Amsel para diagnóstico de vaginose bacteriana são: 1. Corrimento branco-acinzentado, homogêneo e aderente às paredes; 2. pH vaginal > 4,5; 3. Teste das aminas (Whiff test) positivo (odor fétido após adição de KOH a 10%); 4. Presença de 'clue cells' (células-alvo) na microscopia a fresco. O diagnóstico requer a presença de pelo menos 3 dos 4 critérios.

Por que o odor da vaginose piora após o coito ou menstruação?

O odor fétido característico (semelhante a peixe podre) deve-se à volatilização de aminas (putrescina e cadaverina) produzidas por bactérias anaeróbias. O sêmen (alcalino) e o sangue menstrual elevam o pH vaginal, facilitando a liberação dessas aminas voláteis, o que acentua o sintoma percebido pela paciente.

Qual o tratamento padrão para vaginose bacteriana?

O tratamento de escolha é o Metronidazol, podendo ser administrado por via oral (500 mg de 12/12h por 7 dias) ou por via vaginal (gel a 0,75% por 5 noites). Alternativas incluem a Clindamicina. O tratamento é indicado para pacientes sintomáticas, gestantes ou mulheres que serão submetidas a procedimentos ginecológicos.

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