Vaginose Bacteriana: Diagnóstico e Manejo Clínico

SUS-RR - Sistema Único de Saúde de Roraima — Prova 2021

Enunciado

Jovem de 20 anos comparece ao ambulatório com queixa de leucorreia volumosa com odor fétido e que piora após coito e menstruação. Ao exame ginecológico, observase leucorreia acinzentada aderida à parede vaginal com odor de putrefação. Diante desse quadro, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) Trata-se de uma infecção fúngica causada pela Gardnerella vaginallis que, além dos sintomas descritos, pode causar prurido vaginal intenso.
  2. B) O tratamento de escolha é o uso de fluconazol 150mg por via oral dose única associado ao uso de clotrimazol via vaginal.
  3. C) É uma Infecção Sexualmente Transmissível causada pela bactéria Trichomonas vaginallis, que tem como característica, a diminuição do pH vaginal.
  4. D) O diagnóstico provável é vaginose bacteriana que ocorre pelo crescimento anormal de bactérias anaeróbias e redução ou ausência de lactobacilos.

Pérola Clínica

Leucorreia acinzentada, odor fétido (piora pós coito/menstruação) = Vaginose Bacteriana (Gardnerella vaginalis, pH vaginal > 4,5).

Resumo-Chave

A vaginose bacteriana é caracterizada por um desequilíbrio da microbiota vaginal, com proliferação de bactérias anaeróbias (como Gardnerella vaginalis) e diminuição dos lactobacilos. Os sintomas clássicos incluem leucorreia acinzentada, homogênea, com odor fétido ('cheiro de peixe'), que piora após o coito ou menstruação. O diagnóstico é clínico e laboratorial, utilizando os critérios de Amsel.

Contexto Educacional

A vaginose bacteriana (VB) é a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva, resultante de um desequilíbrio na microbiota vaginal. Caracteriza-se pela diminuição ou ausência de lactobacilos, que são responsáveis pela manutenção do pH ácido vaginal, e pela proliferação de bactérias anaeróbias, como Gardnerella vaginalis, Mobiluncus e Mycoplasma hominis. Embora não seja considerada uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) clássica, a atividade sexual pode influenciar sua ocorrência. Clinicamente, a VB manifesta-se por leucorreia acinzentada, homogênea, com odor fétido ('cheiro de peixe'), que se intensifica após o coito e durante a menstruação devido à alcalinização do pH vaginal. O diagnóstico é estabelecido pelos critérios de Amsel, que incluem a presença de leucorreia típica, pH vaginal maior que 4,5, teste de Whiff positivo e a identificação de 'clue cells' (células epiteliais vaginais recobertas por bactérias) na microscopia. É fundamental diferenciar a VB de outras causas de leucorreia, como candidíase e tricomoníase, que possuem características clínicas e laboratoriais distintas. O tratamento da vaginose bacteriana visa restaurar a flora vaginal normal e aliviar os sintomas. O metronidazol (oral ou tópico) e a clindamicina (oral ou tópica) são os antibióticos de primeira linha. O tratamento é eficaz na maioria dos casos, mas a recorrência é comum. A VB não tratada pode estar associada a complicações como doença inflamatória pélvica, infecções pós-operatórias ginecológicas e, em gestantes, parto prematuro e corioamnionite, ressaltando a importância do diagnóstico e tratamento adequados.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da vaginose bacteriana?

Os principais sintomas da vaginose bacteriana incluem leucorreia acinzentada, homogênea e aderida à parede vaginal, com odor fétido característico ('cheiro de peixe'), que frequentemente piora após o coito ou durante a menstruação. Prurido e disúria são menos comuns.

Como é feito o diagnóstico da vaginose bacteriana?

O diagnóstico da vaginose bacteriana é feito clinicamente pelos critérios de Amsel, que incluem: 1) leucorreia homogênea e acinzentada; 2) pH vaginal > 4,5; 3) teste de Whiff positivo (odor amínico após adição de KOH); e 4) presença de 'clue cells' (células-guia) no exame microscópico do conteúdo vaginal.

Qual é o tratamento de escolha para a vaginose bacteriana?

O tratamento de escolha para a vaginose bacteriana é o metronidazol, que pode ser administrado por via oral ou tópica (gel vaginal). Outras opções incluem clindamicina, também disponível em formulações oral e tópica. O tratamento visa restaurar o equilíbrio da microbiota vaginal.

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