Vaginose Bacteriana: Diagnóstico e Opções de Tratamento

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 30 anos é encaminhada pelo médico da unidade básica de saúde (UBS) para avaliação com o ginecologista. Relata corrimento com odor fétido após o término da menstruação, nos últimos três ciclos menstruais, e apresenta o laudo da citologia cervical realizada na UBS: presença de epitélio escamoso e glandular, flora com lactobacilos e dentro dos limites da normalidade. Ao exame especular, observa-se corrimento abundante homogêneo, com vagina e colo uterino de aspecto normal e sem hiperemia. Teste com hidróxido de potássio, realizado na secreção vaginal, com a percepção de odor fétido e pH superior a 5,0. No exame a fresco da secreção vaginal, observam-se células guia (clue cells) no microscópio. Nesse caso, quais são, respectivamente, o diagnóstico e o tratamento a serem prescritos?

Alternativas

  1. A) Vaginose citolítica; tratamento com banho de assento com bicarbonato de sódio.
  2. B) Tricomoníase; tratamento com metronidazol por via oral, ou em forma de creme vaginal.
  3. C) Candidíase; tratamento com miconazol creme vaginal, ou com fluconazol por via oral.
  4. D) Vaginose bacteriana; tratamento com metronidazol por via oral, ou em forma de creme vaginal, ou com clindamicina creme.

Pérola Clínica

Corrimento fétido + pH > 5,0 + teste de Whiff + clue cells → Vaginose Bacteriana = Metronidazol ou Clindamicina.

Resumo-Chave

O quadro clínico e os achados laboratoriais (pH vaginal elevado, teste de Whiff positivo e presença de clue cells no exame a fresco) são diagnósticos para vaginose bacteriana. O tratamento de escolha é com metronidazol ou clindamicina, por via oral ou tópica.

Contexto Educacional

A vaginose bacteriana (VB) é a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva, caracterizada por um desequilíbrio da flora vaginal, com diminuição dos lactobacilos e supercrescimento de bactérias anaeróbias. Embora não seja considerada uma infecção sexualmente transmissível clássica, está associada a um risco aumentado de adquirir outras ISTs e complicações obstétricas. É um tema frequente em provas de residência e na prática clínica. A fisiopatologia da VB envolve a substituição da flora vaginal normal, rica em lactobacilos produtores de peróxido de hidrogênio, por uma flora polimicrobiana anaeróbia. Isso leva a um aumento do pH vaginal e à produção de aminas voláteis, responsáveis pelo odor fétido. O diagnóstico é clínico e laboratorial, utilizando os critérios de Amsel. O exame a fresco é fundamental para identificar as 'clue cells', que são patognomônicas da condição. O tratamento visa restaurar o equilíbrio da flora vaginal e aliviar os sintomas. As opções incluem metronidazol (oral ou tópico) ou clindamicina (tópica). É importante orientar a paciente sobre a não necessidade de tratar o parceiro sexual, a menos que seja um parceiro feminino. A VB pode ser recorrente, e estratégias para prevenção de recorrências podem incluir o uso de probióticos vaginais. O prognóstico é bom com o tratamento adequado, mas a recorrência é comum e deve ser abordada.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para vaginose bacteriana?

O diagnóstico de vaginose bacteriana é feito pelos critérios de Amsel, que incluem a presença de três dos quatro seguintes: corrimento vaginal homogêneo, pH vaginal > 4,5, teste de Whiff (odor de amina) positivo após adição de KOH, e presença de clue cells (células epiteliais cobertas por bactérias) no exame a fresco.

Qual é o tratamento de primeira linha para vaginose bacteriana?

O tratamento de primeira linha para vaginose bacteriana inclui metronidazol (oral ou gel vaginal) ou clindamicina (creme vaginal ou óvulos). A escolha depende da preferência da paciente e da tolerância aos efeitos colaterais.

Como diferenciar vaginose bacteriana de outras vaginites?

A vaginose bacteriana se diferencia pela ausência de inflamação (sem hiperemia), pH vaginal elevado (>4,5), teste de Whiff positivo e presença de clue cells. Candidíase apresenta prurido intenso e corrimento branco grumoso, enquanto tricomoníase tem corrimento amarelo-esverdeado bolhoso e inflamação.

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