UFCG/HUAC - Hospital Universitário Alcides Carneiro - Campina Grande (PB) — Prova 2020
JBAS, 22 anos, sexualmente ativa, chega ao ambulatório do Hospital Universitário Alcides Carneiro com queixa de corrimento e odor fétido nos genitais, que piora após o intercurso sexual. Ao exame, você percebe um corrimento acinzentado, bolhoso, com odor de peixe podre. A característica microscópica que marca esse tipo de afecção é a presença de:
Corrimento acinzentado, bolhoso, odor de peixe podre (piora pós-coito) + Clue Cells = Vaginose Bacteriana.
O quadro clínico de corrimento acinzentado, bolhoso, com odor fétido ("peixe podre") que piora após o intercurso sexual é altamente sugestivo de vaginose bacteriana. A presença de "clue cells" (células epiteliais vaginais recobertas por bactérias) é o achado microscópico patognomônico dessa condição.
A vaginose bacteriana (VB) é a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva. Não é considerada uma infecção sexualmente transmissível (IST) clássica, mas está associada à atividade sexual. Caracteriza-se por um desequilíbrio da microbiota vaginal, com redução dos lactobacilos protetores e supercrescimento de bactérias anaeróbias, como Gardnerella vaginalis, Mobiluncus e Mycoplasma hominis. Os sintomas típicos incluem corrimento vaginal homogêneo, acinzentado, com odor fétido ("cheiro de peixe podre"), que frequentemente piora após o intercurso sexual ou menstruação. O diagnóstico é clínico e laboratorial, utilizando os critérios de Amsel: corrimento homogêneo, pH vaginal > 4,5, teste de aminas positivo (odor de peixe após adição de KOH) e a presença de "clue cells" no exame microscópico do esfregaço vaginal. A presença de clue cells é o achado mais patognomônico. O tratamento da vaginose bacteriana visa restaurar o equilíbrio da flora vaginal e aliviar os sintomas. Os medicamentos mais utilizados são metronidazol (oral ou tópico) e clindamicina (tópica). Embora a VB não seja uma IST, sua presença aumenta o risco de adquirir outras ISTs e pode estar associada a complicações obstétricas e ginecológicas, como doença inflamatória pélvica, parto prematuro e infecções pós-operatórias.
Os critérios de Amsel incluem: corrimento vaginal homogêneo, acinzentado; pH vaginal > 4,5; teste de aminas positivo (odor de peixe podre após KOH); e presença de clue cells no exame microscópico. São necessários 3 de 4.
Clue cells são células epiteliais vaginais que estão densamente recobertas por bactérias (principalmente Gardnerella vaginalis), tornando suas bordas indistintas. São o achado microscópico mais característico da vaginose bacteriana.
O tratamento para vaginose bacteriana geralmente envolve metronidazol (oral ou gel vaginal) ou clindamicina (creme vaginal ou óvulos). O tratamento do parceiro sexual não é rotineiramente indicado.
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