HMASP - Hospital Militar de Área de São Paulo — Prova 2021
Paciente de 24 anos de idade traz em consulta seu exame colpocitológico com o seguinte resultado: presença de células guia, pH vaginal acima de 4,7, flora cocobacilar e ausência de bacilos de Doderlein. Qual a sua hipótese diagnóstica?
Células guia + pH > 4,5 + flora cocobacilar + ausência Doderlein = Vaginose Bacteriana (Critérios de Amsel).
A descrição do exame colpocitológico (presença de células guia, pH vaginal acima de 4,7, flora cocobacilar e ausência de bacilos de Doderlein) preenche os critérios de Amsel para o diagnóstico de vaginose bacteriana. Esta condição é caracterizada por um desequilíbrio da flora vaginal, com redução dos lactobacilos e supercrescimento de bactérias anaeróbias.
A vaginose bacteriana (VB) é a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva, resultante de um desequilíbrio da microbiota vaginal. Caracteriza-se pela diminuição dos lactobacilos produtores de peróxido de hidrogênio e pelo aumento de bactérias anaeróbias, como Gardnerella vaginalis, Mobiluncus spp. e Mycoplasma hominis. Clinicamente, pode apresentar corrimento branco-acinzentado, homogêneo, com odor fétido (odor de peixe), especialmente após o coito ou menstruação. O diagnóstico da VB é primariamente clínico, utilizando os Critérios de Amsel, dos quais pelo menos três devem estar presentes: corrimento vaginal homogêneo, pH vaginal > 4,5, teste de aminas positivo (whiff test) e presença de células guia na microscopia. A ausência de bacilos de Doderlein e a presença de flora cocobacilar na microscopia são achados complementares importantes. É crucial diferenciar a VB de outras vaginites, como candidíase (pH ácido, hifas) e tricomoníase (pH alcalino, tricomonas móveis), para instituir o tratamento correto. Para residentes, o domínio dos critérios de Amsel e a interpretação da microscopia vaginal são habilidades essenciais. O tratamento geralmente envolve metronidazol (oral ou tópico) ou clindamicina (tópica), visando restaurar o equilíbrio da flora vaginal e aliviar os sintomas. A VB não tratada está associada a um risco aumentado de complicações obstétricas e ginecológicas.
Os quatro critérios de Amsel são: 1) Corrimento vaginal homogêneo, branco-acinzentado; 2) pH vaginal > 4,5; 3) Teste de aminas positivo (odor de peixe após adição de KOH); e 4) Presença de células-guia (clue cells) na microscopia.
Células guia (clue cells) são células epiteliais vaginais recobertas por bactérias cocobacilares, que obscurecem as bordas celulares. Sua presença é o achado microscópico mais específico para o diagnóstico de vaginose bacteriana, indicando o supercrescimento bacteriano característico.
A flora vaginal normal é dominada por bacilos de Doderlein (lactobacilos), que produzem ácido lático e mantêm o pH vaginal ácido (<4,5). Na vaginose bacteriana, há uma redução ou ausência de lactobacilos e um supercrescimento de bactérias anaeróbias, resultando em um pH vaginal mais alcalino (>4,5) e a presença de células guia.
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