Vaginose Bacteriana: Diagnóstico e Tratamento com Metronidazol

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Paciente feminina, 27 anos, com queixa de corrimento vaginal há 2 meses e odor desagradável. Ao exame físico especular você coleta exame de papanicolau e observa moderada quantidade de corrimento em fundo de saco vaginal de coloração acinzentada, sem alterações em paredes vaginais e colo de útero. Wiff teste realizado e foi positivo; no exame à fresco observou-se a presença de clue cells. Diante desse quadro clínico qual a melhor conduta, além de orientar a prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (IST) e discutir sobre métodos contraceptivos?

Alternativas

  1. A) Prescrever metronidazol 500 mg de 12/12h, uma semana.
  2. B) Prescrever ciprofloxacina 500 mg (dose única), doxicilina 10 mg, 12/12h, 7 dias.
  3. C) Prescrever fluconazol 150 mg em dose única.
  4. D) Prescrever dexametasona, apresentação creme vaginal.

Pérola Clínica

Corrimento acinzentado + odor fétido + Wiff teste + Clue cells = Vaginose Bacteriana.

Resumo-Chave

A vaginose bacteriana é uma disbiose da flora vaginal, caracterizada pela substituição dos lactobacilos por bactérias anaeróbias, como Gardnerella vaginalis. Os critérios de Amsel (corrimento homogêneo, pH vaginal > 4,5, teste de aminas positivo e presença de clue cells) são essenciais para o diagnóstico.

Contexto Educacional

A vaginose bacteriana (VB) é a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva. Não é uma infecção sexualmente transmissível (IST) no sentido estrito, mas sua ocorrência está associada à atividade sexual. Caracteriza-se por uma disbiose da microbiota vaginal, onde há uma diminuição dos lactobacilos protetores e um supercrescimento de bactérias anaeróbias, como Gardnerella vaginalis, Mobiluncus spp. e Mycoplasma hominis. A fisiopatologia envolve a alteração do pH vaginal, que se torna mais alcalino (>4,5), favorecendo o crescimento das bactérias anaeróbias. Os sintomas típicos incluem corrimento vaginal acinzentado, homogêneo, com odor fétido ('de peixe'), que piora após a relação sexual ou menstruação. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de Amsel, que incluem a presença de 'clue cells' no exame microscópico à fresco. O tratamento de escolha é o metronidazol, que pode ser administrado por via oral (500 mg, 12/12h por 7 dias) ou tópica (gel vaginal). A clindamicina é uma alternativa. É fundamental orientar a paciente sobre a prevenção de ISTs e discutir métodos contraceptivos, pois a VB pode aumentar o risco de adquirir outras infecções e complicações obstétricas/ginecológicas. O prognóstico é geralmente bom com o tratamento adequado, mas as recorrências são comuns.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios de Amsel para o diagnóstico de vaginose bacteriana?

Os critérios de Amsel incluem: 1) Corrimento vaginal homogêneo, branco-acinzentado; 2) pH vaginal > 4,5; 3) Teste de aminas (Wiff teste) positivo, com odor de peixe após adição de KOH; e 4) Presença de 'clue cells' (células epiteliais vaginais cobertas por bactérias) no exame microscópico à fresco. São necessários pelo menos três dos quatro critérios.

Por que o metronidazol é o tratamento de escolha para vaginose bacteriana?

O metronidazol é eficaz contra as bactérias anaeróbias que proliferam na vaginose bacteriana, restaurando o equilíbrio da flora vaginal. Pode ser administrado por via oral ou tópica (gel vaginal), sendo a via oral geralmente preferida para garantir a adesão e eficácia. É importante orientar sobre a abstenção de álcool durante o tratamento oral.

A vaginose bacteriana é considerada uma infecção sexualmente transmissível (IST)?

A vaginose bacteriana não é classificada como uma IST clássica, pois pode ocorrer em mulheres sexualmente inativas. No entanto, a atividade sexual é um fator de risco para sua recorrência. É importante diferenciá-la de ISTs, embora a presença de vaginose possa aumentar o risco de adquirir outras ISTs e complicações ginecológicas.

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