Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2020
Mulher de 25 anos de idade queixa-se de secreção vaginal aumentada, sempre com odor desagradável, que piora após relação sexual. Fez uso de vários cremes vaginais sem melhora. Nega dor ou ardor vaginal. Ao exame, observa-se corrimento vaginal discretamente aumentado, acinzentado, que libera odor desagradável quando se adiciona KOH a 10%. De acordo com a hipótese diagnóstica, qual seria o pH vaginal e as características microscópicas desse corrimento?
Vaginose bacteriana = pH > 4,5 + odor amínico + corrimento acinzentado + poucos leucócitos.
A vaginose bacteriana é caracterizada por um desequilíbrio da flora vaginal, resultando em pH vaginal elevado (>4,5), odor fétido (especialmente após coito e com KOH), corrimento acinzentado e a presença de 'clue cells' na microscopia, com pouca ou nenhuma resposta inflamatória (poucos leucócitos).
A vaginose bacteriana (VB) é a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva, caracterizada por um desequilíbrio da flora vaginal normal, com supercrescimento de bactérias anaeróbias (ex: Gardnerella vaginalis, Mobiluncus spp.) e redução dos lactobacilos. Não é considerada uma infecção sexualmente transmissível clássica, embora possa estar associada a atividade sexual. O diagnóstico da VB é clínico e laboratorial, utilizando os critérios de Amsel: 1) corrimento vaginal homogêneo, branco-acinzentado; 2) pH vaginal > 4,5; 3) teste das aminas positivo (odor de peixe após adição de KOH 10%); e 4) presença de 'clue cells' (células epiteliais vaginais cobertas por bactérias) na microscopia. A ausência de dor ou ardor vaginal é comum, e o odor desagradável piora após a relação sexual. A VB não causa inflamação significativa, por isso, a presença de poucos leucócitos é um achado comum na microscopia. O tratamento visa restaurar o equilíbrio da flora vaginal, geralmente com metronidazol (oral ou tópico) ou clindamicina (tópica). O tratamento do parceiro sexual não é rotineiramente recomendado, pois não melhora os resultados do tratamento nem previne recorrências.
Os critérios de Amsel incluem: corrimento vaginal homogêneo branco-acinzentado, pH vaginal > 4,5, teste das aminas positivo e presença de 'clue cells' na microscopia. Três dos quatro critérios confirmam o diagnóstico.
Na vaginose bacteriana, há uma diminuição dos lactobacilos (produtores de ácido lático) e um supercrescimento de bactérias anaeróbias, o que eleva o pH vaginal acima de 4,5, tornando o ambiente menos ácido.
'Clue cells' são células epiteliais vaginais cobertas por bactérias (principalmente Gardnerella vaginalis), que obscurecem as bordas celulares. Sua presença na microscopia é um critério diagnóstico chave para vaginose bacteriana.
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