Vaginose Bacteriana: Diagnóstico, Tratamento e Manejo na Gestação

FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2022

Enunciado

Cleide, 35 anos, sexualmente ativa, chega à consulta queixando-se de corrimento vaginal com odor desagradável que piora após a relação sexual e durante a menstruação. Após examiná-la, a ginecologista constatou se tratar da afecção do trato genital inferior feminino mais comum. Podemos afirmar:

Alternativas

  1. A) O tratamento indicado é o fluconazol.
  2. B) O parceiro também deve ser tratado.
  3. C) As pacientes assintomáticas não necessitam de tratamento, exceto as gestantes.
  4. D) Mulheres que praticam sexo com mulheres têm baixa prevalência dessa afecção.

Pérola Clínica

Vaginose Bacteriana (VB) = corrimento fétido pós-coito/menstruação. Assintomáticas não tratam, EXCETO gestantes.

Resumo-Chave

A vaginose bacteriana é a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva, caracterizada por um desequilíbrio da microbiota vaginal. O odor desagradável, que piora após a relação sexual ou durante a menstruação, é um sintoma chave. O tratamento de pacientes assintomáticas geralmente não é necessário, mas é mandatório em gestantes devido aos riscos obstétricos.

Contexto Educacional

A vaginose bacteriana (VB) é a infecção vaginal mais prevalente em mulheres em idade reprodutiva, caracterizada por um desequilíbrio da microbiota vaginal normal, com diminuição dos lactobacilos e supercrescimento de bactérias anaeróbias, como a Gardnerella vaginalis. Embora não seja considerada uma infecção sexualmente transmissível clássica, a atividade sexual é um fator de risco. Sua importância clínica reside na alta prevalência e nas potenciais complicações, especialmente em gestantes. O diagnóstico é clínico e laboratorial, utilizando os Critérios de Amsel. A fisiopatologia envolve a produção de aminas voláteis pelas bactérias anaeróbias, que são responsáveis pelo odor característico de 'peixe podre', intensificado em pH alcalino (pós-coito, menstruação). A presença de 'clue cells' (células epiteliais vaginais recobertas por bactérias) no microscópio é patognomônica. O tratamento de escolha é o metronidazol (oral ou tópico) ou a clindamicina (tópica). É fundamental que residentes compreendam que o tratamento de mulheres assintomáticas não é rotineiramente indicado, exceto em gestantes, devido ao risco de desfechos adversos na gravidez, como o parto prematuro. O manejo adequado da VB é crucial para a saúde ginecológica e obstétrica.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para vaginose bacteriana?

O diagnóstico de vaginose bacteriana é feito pelos Critérios de Amsel, que incluem a presença de três dos quatro sinais: corrimento vaginal homogêneo, pH vaginal > 4,5, teste de Whiff positivo (odor de amina após adição de KOH) e presença de células-chave (clue cells) no exame microscópico.

Quando o tratamento da vaginose bacteriana é indicado?

O tratamento é indicado para mulheres sintomáticas. Em mulheres assintomáticas, o tratamento não é rotineiramente recomendado, exceto em gestantes devido ao risco de complicações obstétricas como parto prematuro, e antes de procedimentos ginecológicos invasivos.

Qual a importância da vaginose bacteriana na gestação?

Na gestação, a vaginose bacteriana está associada a um risco aumentado de complicações como parto prematuro, ruptura prematura de membranas, corioamnionite e endometrite pós-parto. Por isso, o tratamento é mandatório para gestantes, mesmo que assintomáticas.

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