Leucorreia e Prurido: Diagnóstico e Sintomas Chave

UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 36 anos, com ciclos menstruais regulares e vida sexual ativa, veio à consulta queixando-se de leucorreia e prurido, quadro iniciado há 3 dias. Referiu apresentar tais sintomas todos os meses. Foi colhido material para exame a fresco, cuja lâmina encontra-se reproduzida abaixo. Com base no quadro, assinale a assertiva correta.

Alternativas

  1. A) O pH da vagina deve estar < 4.
  2. B) Os sintomas pioram no período pré-ovulatório.
  3. C) Os sintomas pioram após a relação sexual.
  4. D) Os sintomas costumam melhorar após a menstruação.

Pérola Clínica

Leucorreia recorrente com prurido e piora pós-coito → suspeitar de vaginose bacteriana ou tricomoníase.

Resumo-Chave

A questão descreve um quadro de leucorreia e prurido recorrente, com piora após a relação sexual. Embora a imagem do exame a fresco não esteja disponível, a piora pós-coito é uma característica clássica da vaginose bacteriana (devido à alcalinização pelo sêmen) e da tricomoníase. O pH vaginal elevado (>4.5) é esperado nessas condições.

Contexto Educacional

Leucorreia e prurido vaginal são queixas ginecológicas extremamente comuns, que afetam mulheres em idade reprodutiva e podem ser recorrentes. A etiologia mais frequente inclui vaginose bacteriana, candidíase vulvovaginal e tricomoníase. A diferenciação entre essas condições é crucial para um tratamento eficaz e para evitar recorrências, sendo a história clínica detalhada e o exame ginecológico com exames complementares (pH vaginal, teste das aminas, exame a fresco) ferramentas diagnósticas essenciais. A vaginose bacteriana é a causa mais comum de corrimento vaginal, caracterizada por um desequilíbrio da flora vaginal, com proliferação de bactérias anaeróbias. Os sintomas incluem corrimento branco-acinzentado, homogêneo, com odor fétido ('cheiro de peixe'), que piora após a relação sexual ou menstruação devido à alcalinização do pH. O pH vaginal é tipicamente > 4,5. A tricomoníase, uma infecção sexualmente transmissível, também pode causar prurido, corrimento amarelado-esverdeado, espumoso, com odor fétido e piora pós-coito, além de pH elevado. Em contraste, a candidíase vulvovaginal é caracterizada por prurido intenso, corrimento branco, grumoso (aspecto de 'leite coalhado'), sem odor fétido, e o pH vaginal geralmente permanece normal (< 4,5). O diagnóstico diferencial é fundamental para a escolha do tratamento adequado. A piora dos sintomas após a relação sexual é um dado clínico importante que sugere vaginose bacteriana ou tricomoníase, devido à interação do sêmen com a flora vaginal alterada.

Perguntas Frequentes

Quais são as características da vaginose bacteriana?

A vaginose bacteriana é caracterizada por corrimento branco-acinzentado, homogêneo, com odor fétido (cheiro de peixe podre), especialmente após a relação sexual, e pH vaginal > 4,5. O exame a fresco revela 'clue cells'.

Como diferenciar candidíase de outras vaginites?

A candidíase tipicamente apresenta corrimento branco, grumoso ('coalhada'), prurido intenso, eritema e edema vulvovaginal, sem odor fétido e com pH vaginal normal (<4,5). O exame a fresco com KOH é crucial para identificar hifas.

Por que os sintomas podem piorar após a relação sexual em algumas vaginites?

Na vaginose bacteriana, o sêmen (pH alcalino) pode reagir com as aminas produzidas pelas bactérias anaeróbias, intensificando o odor fétido. Na tricomoníase, a irritação mecânica e a alteração do pH também podem exacerbar os sintomas.

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