MedEvo Simulado — Prova 2026
Letícia, 29 anos, solteira, procura atendimento ginecológico queixando-se de corrimento vaginal há cerca de uma semana. Relata que o conteúdo apresenta odor fétido semelhante a "peixe podre", que se torna mais perceptível após o término da menstruação e após relações sexuais desprotegidas. Nega prurido, disúria ou dispareunia de intróito. Ao exame físico, observa-se conteúdo vaginal fluido, homogêneo, de coloração branco-acinzentada, aderido às paredes vaginais, sem sinais inflamatórios na mucosa ou no colo uterino. A medição do pH vaginal resultou em 5,2. O teste de liberação de aminas com hidróxido de potássio (KOH 10%) foi positivo. A bacterioscopia corada pelo método de Gram revelou raros lactobacilos, intensa flora de cocobacilos gram-variáveis e presença de células epiteliais com bordas imprecisas recobertas por bactérias em mais de 20% do campo observado. Diante desse quadro clínico e laboratorial, a principal hipótese diagnóstica é:
Corrimento branco-acinzentado + pH > 4,5 + Whiff (+) + Clue cells = Vaginose Bacteriana.
A vaginose bacteriana é uma disbiose caracterizada pela redução de lactobacilos e aumento de anaeróbios, diagnosticada clinicamente pelos Critérios de Amsel.
A vaginose bacteriana (VB) é a causa mais frequente de corrimento vaginal em mulheres em idade fértil. Fisiopatologicamente, ocorre uma substituição dos Lactobacillus spp., que mantêm o pH ácido via produção de ácido lático e peróxido de hidrogênio, por uma flora polimicrobiana anaeróbia (Gardnerella vaginalis, Atopobium vaginae, Mobiluncus). O odor característico de 'peixe podre' deve-se à volatilização de aminas (putrescina e cadaverina) em meio básico, como após o coito ou menstruação. Diferente das vaginites, a VB não apresenta sinais inflamatórios clássicos na mucosa vaginal. O diagnóstico laboratorial padrão-ouro é o Escore de Nugent, baseado na morfologia bacteriana ao Gram, mas na prática clínica os Critérios de Amsel são amplamente utilizados pela sua rapidez e acurácia.
O diagnóstico de vaginose bacteriana requer a presença de pelo menos 3 dos 4 critérios: 1. Conteúdo vaginal fluido, homogêneo e branco-acinzentado; 2. pH vaginal superior a 4,5; 3. Teste das aminas (Whiff test) positivo, com liberação de odor fétido após adição de KOH 10%; 4. Presença de 'clue cells' (células-alvo) em mais de 20% das células epiteliais observadas na microscopia a fresco ou coloração de Gram.
Não. A vaginose bacteriana é considerada uma disbiose da flora vaginal e não uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) clássica. Estudos demonstram que o tratamento sistemático do parceiro sexual masculino não reduz a taxa de recorrência na mulher nem melhora os resultados terapêuticos, portanto, não é recomendado pelas diretrizes do CDC ou do Ministério da Saúde.
O tratamento padrão-ouro é o Metronidazol, que pode ser administrado por via oral (500 mg de 12/12h por 7 dias) ou por via vaginal (gel a 0,75% por 5 noites). Opções alternativas incluem a Clindamicina (creme vaginal a 2% por 7 dias ou via oral). É importante orientar a paciente a evitar o consumo de álcool durante o uso de metronidazol devido ao efeito antabuse.
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