Santa Casa de Maceió (AL) — Prova 2020
Mulher procura ginecologista referindo que logo após relação sexual, surgiu forte odor desagradável em região vulvo-vaginal. O agente etiológico provavelmente envolvido é:
Odor fétido pós-coito + corrimento acinzentado = Vaginose Bacteriana por Gardnerella.
A vaginose bacteriana, causada principalmente pela Gardnerella vaginalis, é caracterizada por um desequilíbrio da microbiota vaginal, com redução de lactobacilos e proliferação de bactérias anaeróbias. O odor fétido, frequentemente descrito como "cheiro de peixe", é exacerbado após a relação sexual devido à alcalinização do sêmen.
A vaginose bacteriana (VB) é a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva, caracterizada por um desequilíbrio da microbiota vaginal. Não é considerada uma infecção sexualmente transmissível (IST) no sentido clássico, mas a atividade sexual pode influenciar seu desenvolvimento. A importância clínica reside no desconforto dos sintomas e no aumento do risco de complicações ginecológicas e obstétricas, como doença inflamatória pélvica, infecções pós-operatórias e parto prematuro. A fisiopatologia envolve a redução dos lactobacilos produtores de peróxido de hidrogênio e a proliferação de bactérias anaeróbias, como Gardnerella vaginalis, Mobiluncus e Mycoplasma hominis. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de Amsel, que incluem o odor fétido (especialmente após coito), corrimento homogêneo, pH vaginal elevado (>4,5) e a presença de células-chave (clue cells) na microscopia. A suspeita deve surgir em pacientes com queixa de odor vaginal desagradável e corrimento. O tratamento visa restaurar o equilíbrio da microbiota e aliviar os sintomas, sendo o metronidazol e a clindamicina as opções mais eficazes. É fundamental orientar a paciente sobre a natureza da condição e a importância da adesão ao tratamento. A recorrência é comum, exigindo, por vezes, esquemas terapêuticos prolongados ou alternativos.
Os critérios de Amsel incluem: corrimento vaginal homogêneo, fino e branco-acinzentado; pH vaginal > 4,5; teste de aminas positivo (odor de peixe após KOH 10%); e presença de células-chave (clue cells) na microscopia.
O tratamento de primeira linha é metronidazol (oral ou gel vaginal) ou clindamicina (oral ou creme vaginal). A escolha depende da preferência da paciente e da gravidade dos sintomas.
A tricomoníase é uma IST que causa corrimento amarelo-esverdeado, espumoso, com odor fétido, prurido e disúria, além de inflamação cervical ("colo em framboesa"). A vaginose não causa inflamação e o corrimento é acinzentado.
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