SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2023
Uma paciente de 14 anos, virgem, apresenta queixa de corrimento vaginal escuro de odor fétido associado a prurido. Após exame clínico e laboratorial, foi identificada a presença de Gardnerella vaginalis.Em relação ao caso clínico exposto, julgue o item a seguir.Pode-se tratar de um caso de abuso sexual, pois a Gardnerella é transmitida via relação.
Gardnerella vaginalis = desequilíbrio da flora (vaginose), NÃO é obrigatoriamente IST.
A vaginose bacteriana resulta da substituição dos lactobacilos por bactérias anaeróbias; pode ocorrer em mulheres virgens e não é marcador isolado de abuso sexual.
A vaginose bacteriana (VB) é a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva, caracterizada pela redução de Lactobacillus produtores de peróxido de hidrogênio e supercrescimento de anaeróbios, incluindo Gardnerella vaginalis, Mobiluncus e Atopobium vaginae. O odor fétido deve-se à volatilização de aminas produzidas por essas bactérias em pH alcalino. Em adolescentes virgens, a VB pode ocorrer devido a variações hormonais, hábitos de higiene, uso de roupas apertadas ou antibióticos sistêmicos. Portanto, o achado isolado de Gardnerella não é evidência de atividade sexual ou abuso. O tratamento, quando indicado por sintomas, geralmente envolve metronidazol (oral ou vaginal) ou clindamicina, visando restaurar o equilíbrio da flora vaginal.
Não estritamente. Embora a atividade sexual seja um fator de risco importante para o desequilíbrio da flora vaginal, a Gardnerella vaginalis faz parte da microbiota de muitas mulheres saudáveis. A vaginose bacteriana é um desequilíbrio polimicrobiano endógeno, não uma infecção por um patógeno exógeno obrigatório.
Para o diagnóstico clínico de vaginose bacteriana, são necessários 3 de 4 critérios: 1. Corrimento branco-acinzentado homogêneo; 2. pH vaginal > 4,5; 3. Teste das aminas (Whiff test) positivo (odor de peixe após KOH); 4. Presença de 'clue cells' (células-alvo) na microscopia a fresco.
O manejo deve focar na anamnese e exame físico externo. A coleta de material pode ser feita com swab fino se necessário. Deve-se considerar higiene inadequada, corpos estranhos e vaginose bacteriana por desequilíbrio de flora, reservando a suspeita de abuso para casos com patógenos específicos como Neisseria gonorrhoeae ou Chlamydia.
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