AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025
Flávİa, 18 anos, solteira, procura emergência médica com quadro de corrimento com mau cheiro há 7 dias. Na anamnese refere ingerir bebida alcoólica diariamente e ser dependente química de cocaína. Ao exame especular apresenta conteúdo, homogêneo, amareIa-acinzentado moderado com odor fétido. O pH vaginal está aumentado. Ao toque vaginal sem alterações. O melhor tratamento considerando o perfil da paciente é
Vaginose Bacteriana (VB) com perfil de baixa adesão (uso de álcool/drogas) → Clindamicina creme vaginal é preferível ao metronidazol oral para garantir tratamento.
O quadro clínico (corrimento homogêneo, amarelo-acinzentado, odor fétido, pH vaginal aumentado) é clássico de vaginose bacteriana. Considerando o perfil da paciente (uso de álcool e dependência química), que pode comprometer a adesão ao tratamento oral, a clindamicina em creme vaginal é uma opção mais adequada e eficaz.
A vaginose bacteriana (VB) é a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva, caracterizada por um desequilíbrio da microbiota vaginal, com redução de lactobacilos e supercrescimento de bactérias anaeróbias. Os sintomas típicos incluem corrimento homogêneo, branco-acinzentado, com odor fétido ("cheiro de peixe"), especialmente após o coito ou menstruação, e pH vaginal elevado (>4,5). O diagnóstico é clínico, baseado nos Critérios de Amsel. O tratamento visa restaurar o equilíbrio da flora vaginal e aliviar os sintomas. As opções terapêuticas incluem metronidazol (oral ou tópico) e clindamicina (oral ou tópico). A escolha da medicação e da via de administração deve considerar a adesão da paciente, potenciais interações medicamentosas e efeitos colaterais. Em pacientes com perfil de risco para baixa adesão, como usuários de álcool ou dependentes químicos, a terapia tópica (ex: clindamicina creme vaginal) pode ser preferível à oral, pois minimiza a necessidade de ingestão diária e evita interações como o efeito dissulfiram-like do metronidazol com o álcool. Residentes devem estar atentos a esses fatores sociais e comportamentais para otimizar o tratamento e prevenir recorrências.
São necessários pelo menos três dos quatro critérios: corrimento vaginal homogêneo, branco-acinzentado; pH vaginal > 4,5; teste das aminas positivo (odor de peixe após adição de KOH); e presença de "clue cells" (células-chave) no exame microscópico.
A clindamicina vaginal é uma alternativa eficaz ao metronidazol oral, especialmente em pacientes com baixa adesão esperada ao tratamento oral (devido a uso de álcool, drogas ou efeitos colaterais gastrointestinais), ou naqueles que não podem usar metronidazol. Evita o efeito dissulfiram-like do metronidazol com álcool.
As principais opções são metronidazol oral (500 mg 2x/dia por 7 dias) ou gel vaginal (0,75% 1x/dia por 5 dias), e clindamicina creme vaginal (2% 1x/dia por 7 dias) ou óvulos (100 mg 1x/dia por 3 dias).
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo