Vaginose Bacteriana: Diagnóstico e Sinais Clínicos

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Mulher, 23 anos, sexualmente ativa. Há 2 semanas com leucorréia acinzentada associada a mau cheiro, que piora depois da relação sexual. Exame físico: leucorréia fluída, acinzentada, bolhosa, com odor fétido; mucosa vaginal e colo uterino de aspecto fisiológico, sem sinais de inflamação. A hipótese diagnóstica mais provável é:

Alternativas

  1. A) vaginite inflamatória descamativa
  2. B) candidíase
  3. C) tricomoníase
  4. D) vaginose bacteriana

Pérola Clínica

Leucorreia acinzentada, fluida, bolhosa, com odor fétido pós-coito e sem inflamação = Vaginose Bacteriana.

Resumo-Chave

A vaginose bacteriana é caracterizada por um desequilíbrio da flora vaginal, com proliferação de bactérias anaeróbias e diminuição dos lactobacilos. Os sintomas clássicos incluem leucorreia acinzentada, fluida, com odor fétido (especialmente após o coito ou menstruação) e ausência de sinais inflamatórios na mucosa vaginal.

Contexto Educacional

A vaginose bacteriana (VB) é a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva, resultante de um desequilíbrio da flora vaginal normal. Caracteriza-se pela diminuição dos lactobacilos produtores de peróxido de hidrogênio e supercrescimento de bactérias anaeróbias, como Gardnerella vaginalis, Mobiluncus spp. e Mycoplasma hominis. Embora não seja considerada uma infecção sexualmente transmissível clássica, a atividade sexual pode influenciar seu desenvolvimento. Clinicamente, a VB manifesta-se por leucorreia homogênea, fluida, acinzentada, com odor fétido característico ("cheiro de peixe"), que piora após o coito (devido à alcalinização pelo sêmen) e durante a menstruação. Ao exame físico, a mucosa vaginal e o colo uterino geralmente não apresentam sinais inflamatórios, o que a diferencia de outras vaginites. O diagnóstico é feito pelos critérios de Amsel, que incluem a presença de três dos quatro seguintes: leucorreia homogênea, pH vaginal > 4,5, teste de aminas positivo e presença de "clue cells" (células epiteliais vaginais cobertas por bactérias) na microscopia. O tratamento da vaginose bacteriana é importante não apenas para aliviar os sintomas, mas também para reduzir o risco de complicações ginecológicas e obstétricas, como doença inflamatória pélvica, infecções pós-operatórias e parto prematuro. O metronidazol (oral ou tópico) e a clindamicina (tópica) são as opções terapêuticas mais utilizadas.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para vaginose bacteriana?

Os critérios de Amsel incluem: leucorreia homogênea, fina e acinzentada; pH vaginal > 4,5; teste de aminas positivo (odor de peixe após KOH 10%); e presença de "clue cells" (células-guia) no exame microscópico. São necessários 3 de 4 critérios.

Qual o agente etiológico mais comum na vaginose bacteriana?

A vaginose bacteriana é uma disbiose polimicrobiana, mas a Gardnerella vaginalis é frequentemente associada, juntamente com outras bactérias anaeróbias como Mobiluncus e Mycoplasma hominis.

Como diferenciar vaginose bacteriana de tricomoníase?

A vaginose bacteriana cursa com leucorreia acinzentada, fluida, sem inflamação e pH > 4,5. A tricomoníase apresenta leucorreia amarelo-esverdeada, bolhosa, com sinais inflamatórios (colo em framboesa) e pH > 5,0, além da presença de trofozoítos móveis ao microscópio.

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