Diagnóstico de Vulvovaginites: Conduta e Bacterioscopia

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2026

Enunciado

Paciente 35 anos, refere leucorreia amarelo-esverdeada com início há 1 semana, associada a ardência vaginal e dispareunia. Ao exame especular, apresenta leucorreia profusa amareloesverdeada associada a hiperemia de ectocérvice e paredes vaginais. Qual a conduta mais adequada para esta paciente?

Alternativas

  1. A) Colposcopia.
  2. B) Metronidazol 2 g via oral, dose única.
  3. C) Tratamento com fluconazol 150 mg dose única.
  4. D) Tratamento com metronidazol gel vaginal por sete dias.
  5. E) Bacterioscopia a fresco ou por Gram para diagnóstico.

Pérola Clínica

Corrimento amarelo-esverdeado + colo em framboesa → Trichomonas; diagnóstico = bacterioscopia a fresco.

Resumo-Chave

O diagnóstico de vulvovaginites deve ser pautado na análise clínica associada a exames complementares simples, como a bacterioscopia a fresco, para identificar o agente etiológico antes da terapêutica.

Contexto Educacional

As vulvovaginites representam uma das causas mais comuns de consulta ginecológica. A Tricomoníase, causada pelo protozoário flagelado Trichomonas vaginalis, destaca-se por ser uma IST que causa intensa resposta inflamatória. O quadro clínico clássico envolve leucorreia profusa, sinusorragia e dispareunia. No exame especular, o sinal do 'colo em framboesa' (colpite focal) é patognomônico, embora presente em apenas uma minoria dos casos. A conduta diagnóstica inicial envolve a medição do pH vaginal e a bacterioscopia a fresco, onde se observa a motilidade característica do parasita. O tratamento de escolha é o Metronidazol, preferencialmente por via oral para atingir glândulas parauretrais e de Bartholin, locais onde o parasita pode se alojar e escapar do tratamento tópico.

Perguntas Frequentes

Qual o padrão-ouro para diagnóstico de Tricomoníase?

Embora a bacterioscopia a fresco seja amplamente utilizada na prática clínica devido ao baixo custo e rapidez, apresentando sensibilidade de 60-70%, o padrão-ouro atual é o teste de amplificação de ácidos nucleicos (NAAT), que possui sensibilidade superior a 95%. No entanto, em provas de residência, a bacterioscopia a fresco ou o Gram são frequentemente citados como a conduta inicial diagnóstica correta diante de um quadro clínico sugestivo de leucorreia profusa e inflamação vaginal.

Como diferenciar Tricomoníase de Candidíase no exame físico?

A Tricomoníase apresenta corrimento amarelo-esverdeado, bolhoso e fétido, com pH vaginal > 4,5 e teste do KOH (Whiff test) frequentemente positivo, além de hiperemia da mucosa (colo em framboesa). Já a Candidíase manifesta-se com corrimento branco, grumoso (aspecto de nata de leite), prurido intenso, pH vaginal < 4,5 e ausência de odor fétido. A visualização de hifas ou pseudohifas na microscopia confirma a candidíase, enquanto trofozoítos móveis confirmam a tricomoníase.

O parceiro deve ser tratado na Tricomoníase?

Sim, a Tricomoníase é considerada uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST). O tratamento do parceiro sexual é obrigatório, mesmo que ele seja assintomático, para evitar a reinfecção da paciente e interromper a cadeia de transmissão. A recomendação padrão é o uso de Metronidazol 2g por via oral em dose única para ambos, orientando a abstinência sexual até o término do tratamento e resolução dos sintomas.

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