HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (DF) — Prova 2024
Considerando as imagens apresentadas (exame especular e exame a fresco de material colhido), bem como os assunto correlatos, julgue:Apesar de os sintomas serem extremamente desagradáveis, a condição representada é relativamente comum e benigna e não tem caráter facilitador para aquisição e nem transmissão de outras ISTs.
Vaginites/Vaginoses → ↑ risco de aquisição e transmissão de HIV e outras ISTs.
Alterações na microbiota e integridade da mucosa vaginal facilitam a entrada de patógenos, tornando o tratamento essencial para prevenção secundária de ISTs.
As infecções do trato genital inferior, como a tricomoníase (causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis) e a vaginose bacteriana (disbiose por Gardnerella vaginalis e anaeróbios), alteram significativamente o microambiente vaginal. Essas condições promovem um estado inflamatório que recruta leucócitos e rompe a barreira epitelial, facilitando a penetração de vírus como o HIV e o HPV. Além disso, a redução de lactobacilos produtores de peróxido de hidrogênio diminui a proteção natural contra patógenos. Portanto, o manejo adequado dessas condições não visa apenas o alívio sintomático, mas é uma estratégia crucial de saúde pública para reduzir a incidência de ISTs graves. O diagnóstico correto através do exame especular e exame a fresco permite o tratamento direcionado, reduzindo a carga de doenças infectocontagiosas na população feminina.
A tricomoníase causa uma resposta inflamatória intensa na mucosa vaginal, recrutando células de defesa como linfócitos T CD4+ e macrófagos, que são os principais alvos do vírus HIV. Além disso, a infecção provoca microabrasões e quebra da barreira epitelial, facilitando a entrada do vírus na corrente sanguínea.
Embora não seja estritamente classificada como uma IST (pois pode ocorrer em mulheres sem atividade sexual recente), a vaginose bacteriana é uma disbiose que aumenta significativamente a vulnerabilidade a patógenos externos. A redução de lactobacilos e o aumento do pH vaginal diminuem a proteção natural contra gonorreia, clamídia e HIV.
O tratamento do parceiro sexual é obrigatório na tricomoníase, mesmo que ele seja assintomático. Isso é fundamental para evitar a reinfecção da paciente (efeito pingue-pongue) e para interromper a cadeia de transmissão de ISTs na comunidade.
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