Vaginite Inflamatória Descamativa: Diagnóstico e Manejo

IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2024

Enunciado

Dentre agravos do trato reprodutivo inferior, destacam-se as vulvovaginites e as vaginoses. Sobre essas condições é correto afirmar que a/as

Alternativas

  1. A) vaginite inflamatória descamativa é uma forma pouco frequente, mas severa, de vaginite purulenta crônica.
  2. B) vulvovaginites e as vaginoses representam as queixas pouco frequentes nos consultórios de ginecologia, sendo responsáveis por menos de 15% dos motivos de consulta.
  3. C) vaginite aeróbica é um estado de alteração do meio vaginal caracterizado por microflora contendo bactérias aeróbicas entéricas e excesso de Lactobacillus.
  4. D) vaginose bacteriana é um estado de desequilibrio da flora vaginal caracterizado pelo excesso de Lactobacillus e pela ausência de bactérias anaeróbias.
  5. E) vaginose citolítica é causada pela baixa concentração de Lactobacillus, pela redução do pH vaginal e pela citólise, levando ao aparecimento de sintomas.

Pérola Clínica

Vaginite inflamatória descamativa = forma rara e severa de vaginite purulenta crônica, com descamação epitelial e infiltrado inflamatório.

Resumo-Chave

A vaginite inflamatória descamativa (VID) é uma condição crônica e rara, caracterizada por uma inflamação intensa da vagina, com descamação de células epiteliais parabasais, secreção purulenta e pH vaginal elevado. Diferencia-se de outras vaginites pela sua etiologia não infecciosa primária e pela resposta a corticosteroides.

Contexto Educacional

As vulvovaginites e vaginoses representam queixas extremamente frequentes nos consultórios ginecológicos, sendo responsáveis por uma parcela significativa dos motivos de consulta. Embora a vaginose bacteriana, candidíase e tricomoníase sejam as mais comuns, é crucial reconhecer condições menos frequentes, mas clinicamente importantes, como a vaginite inflamatória descamativa (VID). A vaginite inflamatória descamativa é uma forma rara, mas severa, de vaginite purulenta crônica. Sua fisiopatologia não é completamente compreendida, mas envolve uma resposta inflamatória exacerbada na mucosa vaginal, levando à descamação de células epiteliais e à presença de grande quantidade de leucócitos. Diferente da vaginose bacteriana, que é uma disbiose sem inflamação, a VID é caracterizada por um processo inflamatório ativo. O diagnóstico da VID é baseado nos achados clínicos (secreção purulenta, eritema, dor) e microscópicos (pH elevado, leucócitos abundantes, células parabasais, ausência de patógenos comuns). O tratamento difere das infecções comuns, focando na redução da inflamação com corticosteroides tópicos, e não em antibióticos ou antifúngicos. O reconhecimento correto é fundamental para evitar tratamentos inadequados e melhorar a qualidade de vida da paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados clínicos e laboratoriais da vaginite inflamatória descamativa (VID)?

Clinicamente, a VID apresenta secreção vaginal purulenta abundante, eritema e dor. Laboratorialmente, observa-se pH vaginal elevado (>5), grande quantidade de leucócitos polimorfonucleares, células parabasais descamadas e ausência de patógenos comuns.

Qual o tratamento recomendado para a vaginite inflamatória descamativa?

O tratamento de primeira linha para a VID é a aplicação tópica de corticosteroides, como clindamicina creme vaginal ou hidrocortisona, para reduzir a inflamação e os sintomas. Em casos refratários, pode-se considerar corticosteroides sistêmicos.

Como diferenciar a vaginite inflamatória descamativa da vaginose bacteriana?

A VID cursa com inflamação intensa, secreção purulenta, pH >5 e presença de células parabasais e leucócitos, sem patógenos específicos. A vaginose bacteriana é uma disbiose, com ausência de inflamação, pH >4.5, presença de clue cells, teste de aminas positivo e redução de Lactobacillus.

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