Vaginite Citolítica: Diagnóstico e Tratamento Eficaz

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 24 anos de idade, com queixa de prurido e dor vaginais e secreção abundante com aspecto grumoso branco- amarelado. Ao exame clínico, observa-se o conteúdo vaginal aumentado com aspecto em grumos aderente às paredes vaginais. O exame do material apresenta: pH de 4; bacterioscopia (Gram) com aumento excessivo de Lactobacillus sp.; raros leucócitos; restos celulares (lise das células epiteliais). Não são identificados hifas ou esporos. Qual é o tratamento vaginal mais adequado?

Alternativas

  1. A) Ácido acético.
  2. B) Clotrimazol.
  3. C) Probiótico.
  4. D) Bicarbonato de sódio.

Pérola Clínica

Prurido/dor vaginal + secreção grumosa + pH 4 + excesso Lactobacillus + lise celular → Vaginite Citolítica = Bicarbonato de sódio.

Resumo-Chave

A vaginite citolítica, também conhecida como síndrome de Döderlein, é causada por um supercrescimento de Lactobacillus sp., que produz ácido lático em excesso, levando a um pH vaginal muito baixo e lise das células epiteliais. O tratamento visa alcalinizar o ambiente vaginal para reduzir a população de Lactobacillus.

Contexto Educacional

A vaginite citolítica, também conhecida como síndrome de Döderlein, é uma condição ginecológica subdiagnosticada que mimetiza a candidíase vulvovaginal. Caracteriza-se por um supercrescimento de Lactobacillus spp., que, embora sejam parte da flora vaginal normal, em excesso, produzem ácido lático em demasia, levando a um pH vaginal excessivamente ácido e à lise das células epiteliais. É fundamental para residentes reconhecerem essa condição para evitar tratamentos antifúngicos desnecessários. O diagnóstico da vaginite citolítica baseia-se na história clínica de prurido, dor, queimação e secreção vaginal grumosa, que frequentemente piora na segunda fase do ciclo menstrual. O exame microscópico da secreção vaginal é crucial, revelando um pH vaginal baixo (geralmente <4,0), ausência de hifas ou esporos fúngicos, e a presença abundante de bacilos gram-positivos (Lactobacillus) com lise de células epiteliais. O tratamento da vaginite citolítica visa restaurar o equilíbrio da flora vaginal e reduzir a acidez. A conduta mais eficaz é a utilização de duchas ou supositórios vaginais com bicarbonato de sódio, que neutraliza o excesso de ácido lático e permite a redução da população de Lactobacillus. É importante orientar a paciente sobre a natureza da condição e a diferença em relação a outras vaginites.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas característicos da vaginite citolítica?

Os sintomas incluem prurido, dor, queimação vaginal, disúria e dispareunia, frequentemente com secreção vaginal grumosa, branca ou amarelada, que piora na fase pré-menstrual.

Como é feito o diagnóstico laboratorial da vaginite citolítica?

O diagnóstico é confirmado pela microscopia da secreção vaginal, que mostra pH ácido (<4,5), ausência de hifas ou esporos, aumento significativo de Lactobacillus e lise de células epiteliais.

Por que o bicarbonato de sódio é o tratamento para vaginite citolítica?

O bicarbonato de sódio é utilizado para alcalinizar o ambiente vaginal, elevando o pH e inibindo o crescimento excessivo de Lactobacillus, que é o responsável pela produção excessiva de ácido lático e pelos sintomas.

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