Vaginite Atrófica Pós-Menopausa: Diagnóstico e Tratamento

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 60 anos, menopausa há 7 anos, sem uso de terapia hormonal apresenta queixa de corrimento em pequena quantidade, acinzentado, com odor pronunciado e os seguintes achados: - pH vaginal 6.0; - teste de hidróxido de potássio positivo; - ausência de "clue cells" (esfregaço vaginal); - presença de células basais em grande quantidade (esfregaço vaginal). Qual é o tratamento tópico vaginal mais adequado?

Alternativas

  1. A) Clotrimazol.
  2. B) Metronidazol.
  3. C) Gestrinona.
  4. D) Estrogênio.

Pérola Clínica

Mulher pós-menopausa, sem TH, pH vaginal > 5, ausência de clue cells, presença de células basais → vaginite atrófica → tratamento com estrogênio tópico.

Resumo-Chave

Em mulheres pós-menopausa sem terapia hormonal, a atrofia vaginal é comum devido à deficiência estrogênica. O pH vaginal elevado, a presença de células basais e a ausência de clue cells confirmam o diagnóstico, e o tratamento de escolha é o estrogênio tópico vaginal.

Contexto Educacional

A vaginite atrófica, ou síndrome geniturinária da menopausa, é uma condição crônica e progressiva que afeta muitas mulheres na pós-menopausa devido à deficiência estrogênica. Caracteriza-se por alterações na vulva, vagina, uretra e bexiga, impactando significativamente a qualidade de vida. A deficiência de estrogênio leva ao afinamento do epitélio vaginal, diminuição da vascularização, perda de elasticidade e redução da produção de glicogênio, o que altera a flora vaginal e eleva o pH (acima de 5). Os sintomas podem incluir secura, dispareunia, prurido, disúria e, como no caso, um corrimento com odor. A ausência de clue cells e a presença de células basais no esfregaço são achados importantes para o diagnóstico diferencial com outras vaginites. O tratamento mais eficaz para a vaginite atrófica é a reposição estrogênica tópica vaginal. O estrogênio local restaura a espessura do epitélio, a vascularização, a produção de glicogênio e o pH vaginal, aliviando os sintomas. É uma opção segura e eficaz, com mínima absorção sistêmica, sendo preferível à terapia hormonal sistêmica para sintomas puramente vaginais.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da vaginite atrófica?

Os principais sintomas incluem secura vaginal, dispareunia (dor na relação sexual), prurido, queimação, disúria e, ocasionalmente, corrimento vaginal acinzentado com odor.

Por que o pH vaginal aumenta na vaginite atrófica?

Na menopausa, a deficiência de estrogênio leva à diminuição dos lactobacilos e ao aumento do pH vaginal (geralmente > 5), tornando o ambiente mais suscetível a infecções secundárias e alterando a flora.

Qual a diferença entre vaginite atrófica e vaginose bacteriana no esfregaço vaginal?

Na vaginite atrófica, o esfregaço mostra predominância de células basais/parabasais e ausência de lactobacilos. Na vaginose bacteriana, há presença de clue cells e ausência de lactobacilos, com flora polimicrobiana.

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