HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2025
Homem transgênero de 25 anos, ainda não submetido à cirurgia de redesignação de gênero, comparece à consulta com queixa de corrimento e prurido genital intenso. Em amenorreia desde o início do uso de testosterona há 6 meses. Ao exame físico cuidadoso, presença de escoriações em vulva, conteúdo vaginal amarelo fluido abundante, hipotrofismo e presença de múltiplas diminutas erosões esparsas, orifício externo do colo puntiforme, pH alcalino. A hipótese diagnóstica mais provável é:
Homem trans em testosterona + corrimento amarelo fluido + pH alcalino + hipotrofismo/erosões → vaginite aeróbia.
Em homens transgêneros em uso de testosterona, o hipotrofismo e a atrofia da mucosa vaginal são comuns, predispondo a vaginite aeróbia. Esta condição se manifesta com corrimento amarelo fluido, prurido intenso, pH vaginal alcalino e, frequentemente, erosões ou escoriações devido à inflamação e fragilidade tecidual, diferenciando-se de outras vaginites.
A saúde ginecológica de homens transgêneros em terapia hormonal com testosterona apresenta particularidades importantes. O uso de testosterona induz amenorreia e leva a alterações atróficas na mucosa vaginal, resultando em hipotrofismo e maior fragilidade tecidual. Essas mudanças predispõem a condições como a vaginite aeróbia, que é uma inflamação da vagina causada pela proliferação de bactérias aeróbias patogênicas, em detrimento da flora de lactobacilos. O diagnóstico da vaginite aeróbia em homens transgêneros baseia-se na apresentação clínica e nos achados do exame físico. Os sintomas incluem corrimento vaginal amarelo-fluido abundante, prurido genital intenso, e, ao exame, hipotrofismo da vulva e vagina, com presença de escoriações ou erosões esparsas. O pH vaginal é tipicamente alcalino, e a microscopia pode revelar leucócitos e bactérias aeróbias. É crucial diferenciar esta condição de outras vaginites, como a vaginose bacteriana ou a tricomoníase, que podem ter apresentações semelhantes, mas etiologias e tratamentos distintos. O tratamento da vaginite aeróbia visa restaurar o equilíbrio da flora vaginal e reduzir a inflamação. Pode incluir antibióticos tópicos ou sistêmicos. Em pacientes com atrofia significativa devido à testosterona, a consideração de estrogênio tópico em baixas doses pode ser benéfica para melhorar a saúde da mucosa vaginal, sempre em discussão com o paciente sobre os objetivos da terapia hormonal e os riscos/benefícios. O acompanhamento regular é essencial para gerenciar essas condições e garantir o bem-estar do paciente.
A vaginite aeróbia é caracterizada por corrimento vaginal amarelo-fluido abundante, prurido e irritação genital intensos, disúria e dispareunia. Ao exame, observa-se hiperemia, edema, hipotrofismo da mucosa vaginal e, frequentemente, múltiplas erosões esparsas. O pH vaginal é tipicamente alcalino, geralmente acima de 5,0.
O uso de testosterona em homens transgêneros leva à supressão estrogênica, resultando em hipotrofismo e atrofia da mucosa vaginal. Essa atrofia torna a vagina mais vulnerável a infecções e inflamações, como a vaginite aeróbia, que é caracterizada pela diminuição dos lactobacilos e proliferação de bactérias aeróbias patogênicas, como estreptococos e E. coli.
O tratamento da vaginite aeróbia geralmente envolve o uso de antibióticos tópicos ou sistêmicos com cobertura para bactérias aeróbias, como clindamicina ou metronidazol. No contexto de homens transgêneros com atrofia vaginal induzida por testosterona, a terapia com estrogênio tópico em baixas doses pode ser considerada para restaurar a saúde da mucosa, se o paciente estiver de acordo e não houver contraindicações à exposição estrogênica.
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