Vacinação em Imunossuprimidos: Corticoide e Vírus Vivos

HEVV - Hospital Evangélico de Vila Velha (ES) — Prova 2020

Enunciado

Escolar portadora de lúpus, em uso de corticoide oral em dose > 2mg/kg/dia, perdeu o cartão vacinal e precisa atualizá-lo. Não tem cicatriz de BCG visível. Em relação a vacinação dessa criança, é CORRETO afirmar que:

Alternativas

  1. A) não aplicar tetraviral e febre amarela até interromper o tratamento por pelo menos um mês.
  2. B) aplicar vacina BCG pelo risco maior de desenvolver tuberculose.
  3. C) aplicar tríplice bacteriana e tríplice viral a qualquer momento da terapia.
  4. D) aplicar todas as vacinas, pois o uso de corticoide nessa dosagem não é contraindicação.
  5. E) aplicar tetraviral.

Pérola Clínica

Corticoide > 2mg/kg/dia contraindica vacinas de vírus vivos (tetraviral, FA) por ≥ 1 mês após suspensão.

Resumo-Chave

Pacientes em uso de altas doses de corticoides são imunossuprimidos e não devem receber vacinas de vírus vivos atenuados (como tetraviral, febre amarela, BCG, tríplice viral) devido ao risco de doença disseminada. Essas vacinas devem ser postergadas até a interrupção da imunossupressão por pelo menos um mês.

Contexto Educacional

A vacinação em pacientes imunossuprimidos, como aqueles em uso de altas doses de corticoides devido a doenças autoimunes como o lúpus, requer atenção especial. A principal preocupação reside nas vacinas de vírus vivos atenuados, que contêm uma forma enfraquecida do vírus. Em um hospedeiro imunocomprometido, esses vírus podem se replicar de forma descontrolada, causando a doença que a vacina deveria prevenir. As vacinas de vírus vivos atenuados incluem BCG, tríplice viral (sarampo, caxumba, rubéola), tetraviral (sarampo, caxumba, rubéola, varicela), febre amarela, rotavírus e poliomielite oral (VOP). A contraindicação para essas vacinas em pacientes recebendo corticoide oral em dose imunossupressora (geralmente > 2 mg/kg/dia ou > 20 mg/dia de prednisona por mais de 14 dias) é absoluta. A recomendação é adiar a administração dessas vacinas por pelo menos um mês após a interrupção da terapia imunossupressora, para permitir a recuperação da competência imunológica do paciente. Vacinas inativadas (como tríplice bacteriana, influenza, hepatite B, pneumocócica) são seguras para esses pacientes, embora a resposta imune possa ser atenuada. A ausência de cicatriz de BCG em um paciente imunossuprimido não é indicação para aplicar a vacina, que é de vírus vivo atenuado e contraindicada.

Perguntas Frequentes

Quais vacinas são contraindicadas em pacientes imunossuprimidos?

Vacinas de vírus vivos atenuados, como sarampo, caxumba, rubéola (tríplice viral), varicela, febre amarela, BCG, rotavírus e oral contra poliomielite (VOP), são contraindicadas devido ao risco de replicação viral e doença disseminada.

Qual a dose de corticoide que configura imunossupressão para vacinação?

Doses de prednisona (ou equivalente) ≥ 2 mg/kg/dia ou ≥ 20 mg/dia para adultos, por mais de 14 dias, são consideradas imunossupressoras. Doses menores ou por tempo mais curto geralmente não contraindicam.

Por quanto tempo as vacinas de vírus vivos devem ser adiadas após o uso de corticoide?

Devem ser adiadas por pelo menos um mês após a interrupção da corticoterapia imunossupressora, para permitir a recuperação da função imune.

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