Vacinação com Corticoide Inalatório: O que o Residente Precisa Saber

UNIRV - Universidade de Rio Verde (GO) — Prova 2020

Enunciado

Paciente lactente, 18 meses, é levado ao posto de saúde para consulta de rotina, após 6 meses sem consultar. O médico observa que a criança está com o cartão de vacina desatualizado e não realizou o primeiro reforço da vacina DTP bem como não recebeu a vacina contra sarampo, caxumba, rubéola e varicela. A mãe informa ao médico que o filho está fazendo uso de corticoide inalatório há 30 dias. Qual seria a conduta mais indicada para esse paciente?

Alternativas

  1. A) Aplicar as vacinas tetra viral e tríplice bacteriana no momento da consulta.
  2. B) Aplicar a tríplice viral e antivaricela no momento da consulta e substituir a vacina tríplice bacteriana pela vacina acelular.
  3. C) Aplicar a tríplice bacteriana e adiar a tetra viral para ser realizada após a suspensão do corticoide, já que essa última se trata de vírus vivo atenuado.
  4. D) Indicar a vacinação contra sarampo, caxumba, rubéola, varicela e tríplice bacteriana 10 dias após a suspensão do corticoide.

Pérola Clínica

Corticoide inalatório NÃO contraindica vacinas de vírus vivo atenuado; aplicar vacinas atrasadas.

Resumo-Chave

O uso de corticoides inalatórios, mesmo por tempo prolongado, não é considerado uma contraindicação para a administração de vacinas de vírus vivo atenuado, como a tetra viral (sarampo, caxumba, rubéola, varicela). A imunossupressão significativa que contraindica essas vacinas geralmente está associada a corticoides sistêmicos em doses elevadas.

Contexto Educacional

A vacinação é um pilar fundamental da saúde pública, e a correta aplicação do calendário vacinal, especialmente em crianças, é essencial. No entanto, situações especiais, como o uso de medicamentos, podem gerar dúvidas nos profissionais de saúde. A questão aborda um cenário comum: a vacinação de uma criança em uso de corticoide inalatório, destacando a importância de diferenciar a imunossupressão clinicamente significativa daquela que não interfere na resposta vacinal. A fisiopatologia da imunossupressão por corticoides sistêmicos envolve a inibição da função de linfócitos e outras células imunes, comprometendo a capacidade de montar uma resposta adequada a vacinas de vírus vivo atenuado. Contudo, corticoides inalatórios, como os utilizados no tratamento da asma, atuam primariamente nas vias aéreas, com absorção sistêmica mínima. Portanto, a dose sistêmica de corticoide é insuficiente para causar imunossupressão que justifique adiar ou contraindicar vacinas de vírus vivo. A conduta para pacientes com calendário vacinal atrasado é sempre a atualização imediata, sem reiniciar esquemas. No caso de corticoides inalatórios, a aplicação das vacinas de vírus vivo atenuado (como a tetra viral) e inativadas (como a DTP) é segura e recomendada. É crucial que os residentes compreendam essas distinções para evitar atrasos desnecessários na imunização e garantir a proteção da criança contra doenças preveníveis por vacina.

Perguntas Frequentes

Quais são as contraindicações para vacinas de vírus vivo atenuado?

As principais contraindicações incluem imunodeficiência congênita ou adquirida grave (ex: HIV sintomático, uso de imunossupressores sistêmicos em altas doses, quimioterapia, radioterapia), gravidez e histórico de reação anafilática a componentes da vacina.

Qual a diferença entre corticoide inalatório e sistêmico em relação à vacinação?

Corticoides inalatórios, devido à sua ação local e baixa absorção sistêmica, geralmente não causam imunossupressão suficiente para contraindicar vacinas de vírus vivo. Já corticoides sistêmicos em doses elevadas (ex: prednisona > 2 mg/kg/dia ou > 20 mg/dia por > 14 dias) são uma contraindicação.

Como proceder com um calendário vacinal atrasado em crianças?

A conduta é atualizar o calendário vacinal o mais rápido possível, seguindo as recomendações do PNI (Programa Nacional de Imunizações) para cada vacina, sem reiniciar esquemas, mas sim completando as doses faltantes.

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