Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2020
Um menino de três anos e onze meses de idade foi diagnosticado com doença de Kawasaki e recebeu imunoglobulina endovenosa na dose de 2 g/kg e AAS na dose de 50 mg/kg/dia, que, após oito dias, foi modificada para 5 mg/kg/dia. No retorno de um mês, o ecocardiograma estava normal e o AAS foi suspenso. Seu calendário vacinal estava atualizado de acordo com o Programa Nacional de Imunizações. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta a recomendação para vacinação na consulta.
Pós-IVIG (Kawasaki): vacinas atenuadas vivas (tríplice viral, varicela) devem ser adiadas por 11 meses; vacinas inativadas (DPT, poliomielite) podem ser administradas.
A administração de imunoglobulina intravenosa (IVIG), como no tratamento da Doença de Kawasaki, pode interferir na resposta imune a vacinas atenuadas vivas (ex: tríplice viral, varicela). Por isso, essas vacinas devem ser adiadas por um período de 6 a 11 meses, dependendo da dose de IVIG. Vacinas inativadas (ex: DPT, poliomielite inativada, meningocócica) não são afetadas pela IVIG e podem ser administradas conforme o calendário.
A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda que afeta principalmente crianças pequenas, sendo a principal causa de doença cardíaca adquirida na infância. O tratamento padrão inclui imunoglobulina intravenosa (IVIG) e ácido acetilsalicílico (AAS), visando reduzir a inflamação e prevenir complicações coronarianas. A IVIG, embora vital para o tratamento, tem um impacto significativo no calendário vacinal. A imunoglobulina intravenosa, por ser um produto sanguíneo que contém anticorpos, pode interferir na resposta imune às vacinas atenuadas vivas. Esses anticorpos podem neutralizar os antígenos virais atenuados, impedindo que o sistema imunológico da criança desenvolva sua própria proteção. Portanto, vacinas como a tríplice viral (sarampo, caxumba, rubéola) e a vacina contra varicela devem ser adiadas por um período que varia de 6 a 11 meses, dependendo da dose de IVIG administrada (para 2g/kg, o atraso é de 11 meses). Por outro lado, as vacinas inativadas, que contêm vírus ou bactérias mortos ou apenas partes deles, não são afetadas pela presença de anticorpos da IVIG. Assim, vacinas como DPT (difteria, tétano, coqueluche), poliomielite inativada (VIP) e meningocócica podem ser administradas sem atraso, seguindo o calendário vacinal de rotina da criança. É crucial que os profissionais de saúde orientem os pais sobre essas modificações no calendário para garantir a proteção adequada da criança.
A IVIG contém anticorpos que podem neutralizar os vírus atenuados presentes em vacinas vivas (como tríplice viral e varicela), impedindo o desenvolvimento de uma resposta imune adequada e levando à falha vacinal.
Vacinas inativadas, como DPT (difteria, tétano, coqueluche), poliomielite inativada (VIP), meningocócica e hepatite B, não são afetadas pela IVIG e podem ser administradas conforme o calendário vacinal.
Após a administração de IVIG na dose de 2g/kg (comum na Doença de Kawasaki), as vacinas atenuadas vivas (tríplice viral, varicela) devem ser adiadas por 11 meses para garantir uma resposta imune eficaz.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo