MedEvo Simulado — Prova 2025
Sofia, 8 anos de idade, é acompanhada no ambulatório de reumatologia pediátrica por nefrite lúpica em atividade, fazendo uso contínuo de prednisona na dose de 2 mg/kg/dia há três meses. Sua mãe a traz para a consulta de puericultura, preocupada com um recente surto de sarampo na cidade e com o cartão vacinal de Sofia desatualizado. Ao verificar o cartão, constata-se que Sofia nunca recebeu a vacina tríplice viral (SCR). Qual a conduta mais adequada em relação à vacinação de Sofia?
Corticoide em dose alta (≥2 mg/kg/dia ou ≥20 mg/dia por >14d) → Contraindicação para vacinas de vírus vivo atenuado (ex: Tríplice Viral).
Pacientes em uso de altas doses de corticosteroides são considerados imunossuprimidos, o que contraindica a administração de vacinas de vírus vivos atenuados, como a tríplice viral (sarampo, caxumba, rubéola). O risco de doença vacinal disseminada supera o benefício da imunização nesse cenário.
A vacinação em pacientes imunossuprimidos é um desafio clínico que exige um balanço cuidadoso entre risco e benefício. A imunossupressão pode ser causada por doenças de base (ex: imunodeficiências primárias, HIV) ou por terapia imunossupressora, como o uso de altas doses de corticosteroides, quimioterapia ou agentes biológicos. A regra geral é que vacinas de vírus vivos atenuados (ex: tríplice viral, varicela, febre amarela, rotavírus) são contraindicadas nesses pacientes. O uso de corticosteroides em doses imunossupressoras (definidas como ≥2 mg/kg/dia ou ≥20 mg/dia de prednisona ou equivalente por 14 dias ou mais) compromete a imunidade celular, que é essencial para controlar a replicação dos vírus vacinais. A administração de uma vacina viva nesse cenário pode levar a uma infecção disseminada e grave pelo próprio vírus da vacina. Portanto, a vacinação deve ser adiada até que a função imune seja restaurada, o que geralmente ocorre cerca de um mês após a interrupção da terapia. Em situações de surto de doenças imunopreveníveis, como o sarampo, a conduta para pacientes imunossuprimidos não vacinados é focar em medidas não farmacológicas de proteção, como evitar aglomerações e contato com pessoas doentes. Em casos de exposição confirmada, a imunoglobulina humana pode ser utilizada como profilaxia pós-exposição. A atualização do calendário vacinal deve ser planejada em conjunto com o médico assistente para o momento em que o paciente não estiver mais sob imunossupressão significativa.
As principais contraindicações são imunodeficiências congênitas ou adquiridas graves (incluindo uso de altas doses de corticoides), gestação, e história de anafilaxia a componentes da vacina.
Doses elevadas de corticoides (≥2mg/kg/dia ou ≥20mg/dia por mais de 14 dias) causam imunossupressão significativa, principalmente da imunidade celular. Isso impede uma resposta imune adequada e aumenta o risco de replicação descontrolada do vírus vacinal, podendo levar à doença.
Recomenda-se aguardar pelo menos um mês após a suspensão de terapia com altas doses de corticosteroides para administrar vacinas de vírus vivos atenuados, permitindo a recuperação da função imune.
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