MedEvo Simulado — Prova 2026
Enzo, um menino de 7 anos pesando 22 kg, está em acompanhamento especializado devido a um quadro de síndrome nefrótica em atividade. Ele está em uso de prednisona na dose de 40 mg por dia há exatos 18 dias. Durante a consulta de rotina na Unidade Básica de Saúde, a mãe apresenta a caderneta de vacinação da criança e questiona sobre a aplicação da vacina contra varicela (atenuada), que está em atraso, pois há relatos de casos da doença na escola onde o menino estuda. Diante do cenário de uso de corticoterapia sistêmica descrito, a conduta correta quanto à vacinação contra varicela é:
Corticoide ≥ 2mg/kg/dia ou ≥ 20mg/dia (crianças) por ≥ 14 dias = Imunossupressão → Adiar vacinas vivas por 4 semanas.
Pacientes em uso de doses imunossupressoras de corticoides não devem receber vacinas de agentes vivos (como varicela) devido ao risco de replicação viral descontrolada e doença vacinal grave.
A segurança vacinal em pacientes pediátricos com doenças crônicas, como a síndrome nefrótica, exige rigorosa avaliação do status imunológico. O uso de prednisona em doses elevadas altera a resposta de células T e a função macrofágica, o que pode transformar uma vacina atenuada em um agente patogênico. No caso clínico, a criança recebe 40mg/dia (quase o dobro do limite de 20mg/dia) há 18 dias, o que a enquadra claramente nos critérios de imunossupressão. É fundamental que o médico generalista e o pediatra reconheçam os limiares de dosagem e tempo de tratamento. A vacina contra varicela é composta por vírus vivo atenuado e sua administração inadvertida em vigência de imunossupressão pode levar à varicela disseminada. A recomendação de aguardar 4 semanas após a cessação da droga é um consenso de segurança adotado pelos principais órgãos de imunização.
Segundo o PNI e a SBIm, doses de prednisona (ou equivalente) ≥ 2 mg/kg/dia para crianças com menos de 10kg, ou doses ≥ 20 mg/dia para crianças com mais de 10kg, por um período superior a 14 dias, são consideradas plenamente imunossupressoras. Doses baixas, terapias de curta duração (< 14 dias) ou doses de manutenção em dias alternados geralmente não contraindicam vacinas de vírus vivos, embora cada caso deva ser individualizado.
Após a interrupção de uma corticoterapia em dose imunossupressora (prolongada e de alta dose), deve-se aguardar um intervalo mínimo de 4 semanas (um mês) antes da administração de vacinas de agentes vivos atenuados, como varicela, MMR (tríplice viral) e febre amarela. Esse período é necessário para que o sistema imunológico recupere a capacidade de gerar uma resposta protetora sem o risco de disseminação do vírus vacinal.
Se a vacinação está contraindicada e houve exposição significativa a um caso de varicela, a conduta não é vacinar, mas sim realizar a profilaxia pós-exposição. Isso pode ser feito com a Imunoglobulina Específica contra Varicela-Zoster (VZIG) em até 96-120 horas após o contato, ou, em casos específicos, o uso de aciclovir profilático, visando prevenir formas graves da doença no hospedeiro vulnerável.
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