Vacinação e Imunossupressão: Conduta na Doença de Crohn

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Vinícius, 22 anos, portador de Doença de Crohn, iniciou há 20 dias tratamento com prednisona na dose de 60 mg/dia (seu peso atual é 75 kg) devido a uma recidiva grave da doença. Ele procura atendimento médico pois planeja uma viagem para uma região com recomendação de vacinação contra febre amarela e percebeu, ao conferir seu prontuário, que nunca recebeu essa imunização. Além disso, ele questiona se, devido à sua condição de saúde, teria direito a outras vacinas específicas. Com base nas recomendações do Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE) e do Programa Nacional de Imunizações (PNI), assinale a conduta correta para o caso:

Alternativas

  1. A) Aplicar a vacina contra febre amarela imediatamente, uma vez que a dose de 60 mg de prednisona não ultrapassa o limite de 2 mg/kg/dia para este paciente; indicar apenas a vacina pneumocócica 23-valente (VPP23).
  2. B) Proceder com a vacinação contra febre amarela com dose fracionada para reduzir o risco de eventos adversos graves; indicar a vacina meningocócica B como a única vacina especial necessária para o quadro de Vinícius.
  3. C) Contraindicar a vacina contra febre amarela e aguardar apenas 14 dias após a suspensão do corticoide para realizar a imunização; o esquema pneumocócico para pacientes com doença inflamatória intestinal deve conter apenas a VPC13.
  4. D) Contraindicar a vacina contra febre amarela no momento, devendo-se aguardar pelo menos 30 dias após a interrupção ou redução da corticoterapia para doses não imunossupressoras; indicar o esquema pneumocócico sequencial com VPC13 e VPP23.

Pérola Clínica

Corticoterapia ≥ 2mg/kg/dia ou ≥ 20mg/dia por > 14 dias contraindica vacinas de vírus vivo.

Resumo-Chave

Pacientes em doses imunossupressoras de corticoides não devem receber vacinas de vírus vivo. Após a suspensão, aguarda-se 30 dias para imunização segura.

Contexto Educacional

O manejo de imunizações em pacientes com doenças inflamatórias imunomediadas requer planejamento, idealmente antes do início da imunossupressão. A Doença de Crohn frequentemente exige o uso de corticoides, biológicos ou imunomoduladores, o que altera o perfil de segurança das vacinas. O uso de prednisona em dose de 60mg/dia configura imunossupressão grave, impedindo o uso imediato da vacina contra febre amarela. Além disso, a proteção contra patógenos encapsulados é prioritária, justificando o esquema sequencial VPC13 + VPP23 para ampliar a cobertura de sorotipos do Streptococcus pneumoniae.

Perguntas Frequentes

Qual a dose de corticoide considerada imunossupressora?

Segundo o PNI e o CRIE, doses de prednisona ≥ 2 mg/kg/dia para crianças ou ≥ 20 mg/dia para adultos (ou equivalentes), por um período superior a 14 dias, são consideradas imunossupressoras. Nesses casos, vacinas de agentes vivos atenuados, como a da febre amarela, tríplice viral e varicela, estão contraindicadas devido ao risco de replicação viral descontrolada e doença vacinal grave.

Quanto tempo esperar para vacinar após suspender o corticoide?

Para vacinas de vírus vivos atenuados, deve-se aguardar um intervalo mínimo de 30 dias (4 semanas) após a interrupção da corticoterapia em doses imunossupressoras ou após a redução para doses fisiológicas/não imunossupressoras. Esse período garante a recuperação da competência imunológica necessária para uma resposta vacinal segura e eficaz.

Qual o esquema de vacina pneumocócica para pacientes com DII?

Pacientes com Doença Inflamatória Intestinal (DII) que serão ou estão imunossuprimidos devem receber o esquema sequencial: iniciar com a vacina pneumocócica conjugada 13-valente (VPC13), seguida da vacina pneumocócica polissacarídica 23-valente (VPP23) após um intervalo de 2 meses. Uma dose de reforço da VPP23 deve ser administrada após 5 anos.

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